sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Videocast: Feliz Ano Novo!

O demônio do meu quarto "ou "Se avexe, não, Menino!".

Papai e mamãe trabalhavam muito. Ele, fiscal de renda concursado, muitas vezes tinha que dar plantão no posto fiscal na estrada. Quando o expediente era normal em Junqueiro, além das atividades como fiscal, assumira ele a direção do Ginásio Nossa Senhora Divina Pastora, onde atuava pensando em dar às famílias mais humildes acesso à educação. Tempos difíceis, de dedicação gratuita, apenas por pensar em contribuir com aquela comunidade. Ela, a mamãe, diretora concursada do Grupo Escolar Padre Aurélio Góes, do ensino fundamental, além de assumir as suas responsabilidades normais, ainda lecionava à noite no Ginásio, também com a finalidade de contribuir com a formação dos mais humildades e de toda uma geração de junqueirenses.

Tinha eu uns sete anos de idade. Meus irmãos estudavam já no Ginásio, à noite, enquanto eu estudava sozinho pela manhã, no início do ensino fundamental. Com isso, as minhas noites eram, normalmente, de brincar com amigos até umas 7h00, tomar banho e ser conduzido à cama por minha babá, a Irene. Lembro-me da Irene com viva saudade. Quantas tardes corria eu pelo quintal, nu, e ela atrás de mim, tentando levar-me para o banho, que vez por outra eu procurava fugir. "Vou dizer ao seu pai mais tarde!", saia gritando para me convencer, porque não havia maior certeza do que a nossa obediência cega às ordens paternas, garantidas pelo respeito e, diante do atrevimento eventual, de uma boa sova de cinturão.

Pois bem. A Irene me colocava na cama para dormir e, independentemente do meu sono ou não, ia namorar com o seu noivo, o Luís. Namoro de porta, bem comportado. Eu ficava na cama, olhando para o telhado, as vigas de madeira, o barulho das lagartixas, o passar eventual de um ou outro rato, o voo de algum morcego brincalhão... Nada me assombrava, já fazendo parte do meu cotidiano.

Havia, porém, um desenho feito na porta do quarto. Não sei quem o fez. Era o desenho infantil de um rosto, com orelhas pontiagudas, que à noite parecia a figura de um demônio. Ficava em frente à minha cama. Não dava para não vê-lo. E muitas vezes, morria de medo, ali, sozinho, acompanhado apenas por aquela figura a causar arrepios.

Ainda me lembro do desenho. Em detalhes. Aquela imagem que me causava enorme medo, que me acompanhava em minhas noites, até conseguir dormir pelo cansaço. Tão forte o seu efeito em mim que nunca falei sobre ele com os meus pais. Era um pacto de silêncio não negociado.

Não raro, ainda que estivesse com calor, cobria-me integralmente com o lençol, como se o pano pudesse me proteger, guardando-me das maldades do demônio do meu quarto. E o gesto me dava segurança, como se tivesse ele dotes mágicos, a me esconder do bicho maldoso.

O demônio do meu quarto vive em mim. Sempre viveu. Sempre esteve presente em minha vida. E foi enganado, até hoje, pelo lençol que teimo em usar, para me esconder dos seus desatinos. Às vezes, é certo, tira-me um pouco o sono, maltrata, desperta aquela criança que ainda habita em mim.

Domar os demônios que carregamos é sempre um imenso desafio. É a aventura de uma vida inteira, por vezes.

Lembrei-me dessa história hoje, na virada do ano, para dizer ao menino que ainda sou que não se angustie, que haverá sempre lençóis para nos proteger, e que a vida é sempre uma linda aventura, em que os demônios são criaturas a serem vencidas. "Menino, não se avexe, não! O dia vai raiar de novo, o sol vai brilhar, os seus olhos verão a vida palpitando em sua frente e você notará que, sim!, a noite se foi!".

Feliz ano novo! Que o brilho da luz do dia 1º de janeiro ilumine o nosso coração, cuide da nossa alma, e mostre a cada um de nós um horizonte de fé, paz, saúde e felicidade.

Que Deus nos abençoe a todos nós, amém!


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Competência (esforço, dedicação, estudo) e responsabilidade

Contava, então, com 23 anos. Havia assumido o cargo de procurador geral do município de Maceió naquele dia, pela manhã.

Fui convidado, antes, para ser subprocurador administrativo. Indicação do desembargador Fernando Tourinho, de quem havia sido assessor no Tribunal de Justiça. Assumi o cargo e fui trabalhar com Fernando Costa, procurador geral. Fernando exercia antes a advocacia privada, não sendo muito afeito ao direito público, razão pela qual saiu me delegando atribuições relevantes. Houve uma reunião de secretários municipais e ele me convidou para acompanhá-lo. Surgiu a discussão sobre a tentativa do Estado de criar a região metropolitana de Maceió e uma secretaria de assuntos metropolitanos, que era uma artimanha política do governador Geraldo Bulhões para tutelar a prefeitura de Maceió. Ronaldo Lessa, o prefeito, queria insurgir-se contra essa iniciativa. O tema foi o clímax das discussões naquela reunião e Ronaldo Lessa pediu uma posição da Procuradoria Geral. Fernando passou-me a palavra e eu defendi a inconstitucionalidade da lei estadual.

A partir daquela reunião, meu nome começou a ser conhecido na equipe. Fernando passou a delegar mais atribuições e eu passei a exercer atribuições afetas ao cargo de Procurador Geral. Passei a ter reuniões constantes com o secretário de Finanças, meu saudoso Arnon Chagas, um ás da contabilidade. E muitos problemas me eram trazidos pelos demais secretários. Fernando, com uma advocacia forte e reconhecida, logo desistiu de continuar no cargo de Procurador Geral, pedindo exoneração e indicando o meu nome para sucedê-lo.

Eu não conhecia o prefeito Ronaldo Lessa. O meu único contato pessoal com ele havia sido naquela reunião de secretários municipais. As minhas chances de assumir o cargo eram mirradas. E eu sequer pleiteava o cargo, inclusive pela minha pouca idade e inexperiência. Porém, para a minha surpresa, houve uma articulação de alguns secretários, que passaram a defender o meu nome. À frente, Arnon Chagas, Kátia Born e o velho Controlador Geral do Município, Geraldo Mota, além do Chefe de Gabinete do Prefeito, Olavo Wanderley.

Fui convocado para uma reunião com o Prefeito Ronaldo Lessa. Estávamos ele, Olavo Wanderley e eu. Lessa falou sobre a importância do cargo de procurador geral, discorreu sobre outros nomes que poderiam ocupar aquele cargo, mencionou o apelo de alguns importantes secretários para a minha escolha e, finalmente, destacou a minha pouca idade. Depois, perguntou-me: "Adriano, você, se fosse o Prefeito, lhe nomearia para esse cargo?". "Não!", respondi prontamente. "Por quê?", indagou-me. "Por uma razão simples, Prefeito: se o sr. me nomear e eu me sair bem, o sr. não fez mais do que a sua obrigação. Agora, seu eu for um fracasso, toda a responsabilidade será sua, e recairá no sr. o infortúnio de ter nomeado uma pessoa desconhecida e muito jovem".

Lessa olhou para o Olavo Wanderley. Olavo sorriu e disse algo que eu não esperava: "Ronaldo, esse menino é novo, mas é talentoso. Para a procuradoria precisamos de um Pelé. Esse aí é um Pelezinho, tem futuro e ganhou a confiança do secretariado." Ronaldo Lessa disse-me: "Comecei muito jovem na construção da Ponte Rio-Niterói. Juventude não é doença; se fosse, tem cura. Vou nomear você e vamos ver o que acontece".

Saí do gabinete do Prefeito e fui para casa. Reuni a minha família. Estava assustado. A ficha começava a cair. Uma coisa era ser subprocurador, mesmo com atribuições maiores, mas tendo o apoio e a retaguarda de um procurador geral experiente; outra coisa, muito diferente, era responder pessoalmente pela pasta, ser a última instância jurídica da capital. Coloquei as dificuldades de assumir o cargo para o qual seria nomeado no dia seguinte. Expus os meus medos. Papai, que ouvia tudo calado, após perguntar-me se me sentia preparado para o desafio e, diante da afirmativa, disse-me: "Filho, assuma o cargo. Sua mãe e eu estamos aqui para lhe apoiar. Não tenha medo. Deus proverá!".

Contava, então, com 23 anos. Havia assumido o cargo de procurador geral do município de Maceió naquele dia, pela manhã. A secretária Olinda anunciou servidores graduados da secretaria de Finanças, que iriam me fazer uma consulta jurídica sobre questões orçamentárias. Recebi cinco servidores, assessores de Arnon Chagas. Tinham eles uma consulta complexa sobre questões de direito financeiro e estavam divididos entre duas soluções possíveis. Caberia a mim a resolução sobre quem estava certo. Ouvi tudo atentamente. Embora aparentasse serenidade, estava angustiado, porque simplesmente eu não sabia o que dizer. A matéria era muito nova para mim e muito complexa.

Fiz cara de quem estava refletindo sobre aquelas questões que sequer eu entendia e, com serenidade, disse que daria uma resposta no dia seguinte. Tinha de refletir um pouco. Todos foram embora e eu fiquei com o abacaxi na mão.

Eu não sabia patavinas de direito financeiro. Tinha duas opções: ou ia consultar alguém ou ia buscar meios de construir uma resposta. Procurar quem?, pensei eu. Iria debutar no meu cargo caindo no ridículo. Optei por estudar e assumir a minha responsabilidade. Tinha por hábito - que ainda hoje cultivo - comprar livros jurídicos de qualidade sobre tudo, para um caso de necessidade. Sabia que tinha bons livros, ainda virgens, de direito financeiro. Saí da procuradoria e fui para casa, angustiado.

Comecei a estudar naquele dia direito financeiro. Virei a noite lendo aspectos teóricos, sorvendo os institutos. Não dormi. E passei o dia seguinte lendo, tomando café para não dormir. Faltei ao meu segundo dia como procurador geral. No terceiro dia, havia redigido o meu parecer, que não adotava nenhuma das duas soluções apontadas pelos técnicos, apontando uma terceira, que achei a mais adequada. Reuni-me na tarde do terceiro dia com eles, explanei o meu ponto de vista, fui sabatinado e convenci a todos da minha posição.

Havia vencido o meu primeiro desafio. Senti-me seguro a partir dali a exercer o cargo. Ganhei o respeito dos técnicos e cresci como pessoa e como profissional.

Desde então tenho para mim que o bom profissional deve ter na vida duas condições: a oportunidade e a competência. Se ganho uma oportunidade e não tenho competência, a oportunidade se esvai; se tenho competência, mas me faltam oportunidades, sou como um farol aceso em um mar sem navegação.

Sem trabalho, sem dedicação, sem seriedade, sem esforço, não temos como chegar honesta e profissionalmente a lugar algum.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O resgate de cada dia

Texto originariamente publicado aqui, em 27/02/2009 (Quaresma).

Assisti hoje o final do filme O Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg. Sim, peguei o filme já terminando no Telecine da Globosat. Justamente na cena em que o capitão interpretado por Tom Hanks, cuja missão era liderar um grupo de soldados para resgatar o último sobrevivente de três irmãos mandados para a guerra, interpretado pelo excelente Mat Damon. Apesar do esforço daqueles homens, deslocados da missão de combater os nazistas para resgatar um soldado americano como outro qualquer, Ryan (Mat Damon) não se mostra grato nem vê no sacrifício dos seus pares mérito algum.

Na cena final, já tendo encontrado Ryan e voltando para um lugar seguro, o grupo é cercado por alemães e fica em situação difícil. Diante da bravura do capitão vivido por Tom Hanks, um simples professor antes de ingressar no exército, eles resistem e conseguem se salvar. Nem todos, porém. Hanks é mortalmente ferido. Sentado no palco da batalha, sangrando muito, vê um perplexo Ryan aproximar-se dele. Hanks puxa-o pelo casaco e diz em seu ouvido aquelas que seriam as suas últimas palavras: - "Faça por merecer! Mereça!". Era um pedido para que o seu gesto capital não fosse em vão, uma vez que o grupo não via em Ryan razões para aquele sacrifício, que levou alguns a perder a vida na tentativa de resgatá-lo.

Ryan fica em pé olhando para a personagem de Hanks, prostrado morto. E a cena corta para o começo do filme, um homem velho diante de uma lápide militar. Era Ryan no ocaso da vida, tendo atrás de si a família que fora com ele visitar o túmulo do homem que liderou o seu resgate e possibilitou a continuidade da família. A cena postada abaixo é justamente esta. Ryan vai prestar contas da sua vida àquele que perdeu a sua para salvá-lo. Angustiado, afirma ter procurado ser um homem de bem e honrar a memória do capitão. Ante a aproximação da sua esposa, pergunta a ela, diante do túmulo e para que o capitão ouça, se ela o julga um homem de bem.

A angústia de Ryan é esta: diante do homem que morreu por ele, a sua vida valeu a pena?

A angústia de Ryan é a nossa angústia: diante do Homem que se imolou por nós, fazemos a nossa vida bendizê-lo?

Chorei no filme, naquela pequena cena. A minha vida passou por mim, como estava passando por Ryan. Estaria valendo o sofrimento de Cristo? Essas perguntas e as tantas respostas devem ser buscadas sempre, particularmente na quaresma.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Andre Rieu & Carmen Monarcha - O Mio Babbino Caro (Telstra Dome in Melbourne)

Para um dia doce de Natal. É bom quando vivemos o amor e a alegria de amar em um dia tão significativo para todos nós cristãos.

Natal!

Somos nada, Senhor. Sem ti, somos um sopro que se esfuma na temporalidade. Somos o ponto final de uma frase inconclusa e desconexa, uma história bosquejada e superficial. Sem ti não nos compreendemos, não podemos simplesmente explicar o nosso porquê, as nossas razões, o mais comezinho gesto cotidiano.

O menino nasceu! Olho para ele deitado e me prostro: "Meu Senhor e Meu Deus!". Tu és a esperança, o encontro da temporalidade com o eterno, o finito e o infinito casam-se em ti. E me ponho diante desse Mistério profundo, a kénose divina, o despojamento do Criador tornando-se criatura e nos assumindo.

Senhor, só me compreendo em ti. As minhas contradições, a minha pequenez, a minha imensa sede de sentido, tudo enfim!, só se explica através do seu amor e misericórdia.

Natal é tempo de renascimento. Natal é tempo de reflexão. Natal é tempo, sobretudo, de alegria: Deus nos assumiu, o Verbo se fez carne e habitou entre nós!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

domingo, 10 de outubro de 2010

Música do fim de semana: Ivete Sangalo

O amor se aprende amando. Nas diferenças, nas dificuldades, no ciúme, no diálogo, na necessidade de outro. O amor conjugal, de homem e mulher, é marcado pela constante tensão na complexidade do querer. Se a tensão se perde, é porque se perdeu a liga que une, que é aquele misto de paixão e medo de perder. Quando não há paixão, apetite, gula, caiu-se na sequidão do cotidiano, no estar por estar, no acomodar-se ao outro. Quando não se tem o medo da perda, é porque o "tanto faz" se instaurou, não havendo razões para a saudade ou para as buscas.

Um casal que não tem momentos de desencontros, de desgastes por amor, é um casal que não tem mais o estímulo de um para o outro, porque o comodismo passou a estabelecer os modos e métodos da relação. Os embates, aqui e ali, ao contrário de demonstrar desencontros, mostra, bastas vezes, o inverso: a ânsia do encontro, as buscas sobre as diferenças, o sangue que pulsa sem se acomodar.

O homem que não olha para a sua mulher com o desejo de sempre, que já não nota os gestos, olhares, andar, cruzar de pernas, não guardou em si a poesia que o fez querê-la, desejá-la e buscá-la.

Amar, amar de verdade, é o litígio de corpos, almas e corações que se querem para além das diferenças e da comodidade.

Por isso, uma linda música do fim de semana.


Encontros de domingos

O papai nos reunia aos domingos. Conversávamos sobre as coisas de casa, sobre os fatos da semana e rezávamos. Ricardo e eu, os mais novos, passamos, com o tempo, a ser objeto de atenção especial. Desde os 8 anos essas conversas eram semanais. Quem eram os nossos coleguinhas, o que conversávamos, quais os palavrões que aprendíamos... E o papai nos ensinava o significado e o porquê de não chamarmos aquelas palavras.

"A Vida Sexual dos Solteiros e Casados", do padre João Mohana, era uma leitura constante. O papai lia e, passo a passo, comentava o que ouvíamos fascinados. "Prepare os seus filhos para o futuro", também de João Mohana, era lido e comentado, mostrando-nos as razões pelas quais éramos admoestados, eventualmente apanhávamos, sempre com o sentido de limites e de responsabilidade.

Lembro-me que o papai usava uma expressão que para mim soava misteriosa, quando tinha 9 ou 10 anos: "Olhe, lá para os 13, 14 anos vocês passarão a sentir o grito do sexo", para o qual desde já ele nos preparava, buscando uma vida equilibrada e ordenada na adolescência. Temas como masturbação, relações sexuais, namoro, amor, eram tratados de uma forma bonita, amena, dentro de uma moral católica.

O papai nos apresentava sempre o binômio amor e sexo. E desde sempre aprendemos que a dissociação entre um e outro, entre homem e mulher, é um desequilíbrio na relação: amor sem sexo é amor de irmãos, de amigos, mas não é o amor de casal; sexo sem amor é o prazer pelo prazer, que só se compreende no vazio dele mesmo.

Lembro-me do papai lendo o livro de Dom Valfredo Tepe, "O sentido da vida", e repetindo a frase que tantas cito como se fosse minha, porque já apropriada em minhas reflexões: "Amor é força unitiva na diferença". O amor como essa relação constante entre um eu e um tu, cuja polaridade não se perde, não se dissolve, em uma relação reflexiva e esvaziada.

Devo àqueles domingos muito do que sou: o gosto pela leitura, pela reflexão sobre ela, o interesse por filosofia e teologia, o estímulo ao diálogo e ao debate, o prazer de uma boa conversa... Meu pai sempre foi um exemplo para mim. Mesmo no que não comungo com ele, mesmo no que não temos identidade, mesmo no que pensamos diferentes. Em tudo, tenho um imenso carinho e respeito, porque "amor é força unitiva na diferença".


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Debate na Record ao Governo de Alagoas: uma análise

O debate de ontem à noite foi muito bom. Todos os candidatos ao Governo do Estado estiveram presentes à sede da TV Pajuçara e participaram de mais um evento dessa eleição histórica. Histórica, sim, porque em Alagoas não se tinha a experiência de três candidatos viáveis disputando o mandato, todos eles tendo uma vasta carreira política, inclusive já tendo exercido ou exercendo ainda o mandato de governador.

Fernando Collor, Teotônio Vilela e Ronaldo Lessa tiveram, cada qual ao seu modo, um bom desempenho. Collor compareceu ao debate buscando mostrar serenidade, sempre muito comedido, obviamente por saber que a sua rejeição é a maior de todos os demais, causada inclusive pelo seu temperamento havido por iracundo. Em alguns momentos, Collor foi tão calmo, tão sereno, que parecia disperso, sonolento, sem energia. A dose de calma foi cavalar, mesmo quando atacado acerbamente por Jeférson Piones, Tony Clóvis e Mário Agra, que lhe imputaram, por exemplo, a quebra do Estado com o acordo dos usineiros, suicídios por causa da retenção da poupança quando era Presidente da República. Esse foi o problema de Collor no debate: ficou polarizando discussões com Piones, Agra e Clóvis.

Teotônio Vilela buscou mostrar firmeza, determinação, apresentando os números da sua gestão, as suas realizações e polarizando o debate com Ronaldo Lessa. Foram esses os melhores momentos do debate, aliás. Acusou Lessa pelo rombo de R$ 480 milhões, que teria causado problemas para a sua gestão; cobrou-lhe explicação sobre os empréstimos consignados descontados do servidor e não repassados aos bancos, levando 6 mil servidores ao SPC e ao Seresa; cobrou-lhe a aplicação de recursos destinados à merenda, entre outras questões relevantes.

Lessa tentou produzir o discurso de vítima perseguida pelos "poderosos". Quando instado a falar sobre acusações, partiu para o ataque e mentiu ao dizer que Vilela fora flagrado em escutas telefônicas da PF e que teria sido apontado como líder de quadrilha. Nem uma coisa nem outra. Atabalhoadamente, trouxe de modo desrespeitoso o nome de Luíz Abílio para o debate, dizendo que "Vilela atacava um defunto", para se subtrair a questionamentos a ele, Lessa, e ainda tentar atacar Teotônio. Tomou uma severa reprimenda e não mais voltou ao tema.

O debate foi muito positivo. Mostrou o que cada um desejava passar para os eleitores: Collor apareceu como um homem calmo, ponderado, chegando a fazer uma pergunta a Teotônio (sobre o pagamento dos professores) como alguém compreensivo que queria de fato entender. Saiu-se bem, porém exagerou aqui e ali na dose, parecendo disperso em alguns momentos. Ronaldo Lessa vestiu-se como um homem escolhido por Lula e ungido pelo povo para cumprir uma missão; teria sido chamado para algo que não queria, mas que aceitou por não fugir do chamamento. Ao mesmo tempo, era uma vítima dos "poderosos", nova figura retórica que substituiu a surrada expressão "forças do atraso e da corrupção". Teotônio Vilela mostrou-se atuante, firme, decidido. Falou das dificuldades enfrentadas pelo que herdou do Governo Lessa e das soluções que empreendeu. Revelou-se aos eleitores como alguém que sabe o que quer, que enfrenta desafios e, se necessário, posta-se com firmeza, defendendo enfaticamente as suas posições.

O debate, nesse sentido, foi revelador do que cada candidato desejou passar ao eleitor, menos pelo conteúdo temático e muito mais pela postura assumida por cada um frente ao outro e ao próprio eleitor, que assistia a tudo.

Alguns comentaristas criticaram o debate pela ausência de propostas. Bobagem! Debate não é uma reunião de amigos discutindo soluções, tampouco um chá das cinco de senhoras educadas. Debate eleitoral é momento de enfrentamento, de se mostrar o que fez e o que se quer fazer, mas desconstruindo os adversários. Tony Clóvis, Jéferson Piones e Mário Agra cumpriram o bom papel de serem coadjuvantes que estimularam os embates, atacando os três favoritos na disputa. A presença dos três proporcionou momentos engraçados e ataques duros, como os desferidos por Agra e Piones a Collor.

Tudo somado, acho que o eleitor recebeu a mensagem que cada um quis passar. Os embates foram importantes para desnudar (ou encobrir) a vida e o discurso de cada um. De toda a sorte, uma festa democrática, sem sombra de dúvidas.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A violação criminosa do sigilo fiscal de tucanos

Impressionante o uso da Receita Federal para fazer dossiês contra tucanos. O editorial da Folha de São Paulo de hoje (aqui) é firme, demonstrando a perplexidade sobre aquilo que adequadamente denominou de delinquência estatal.

Esse método de ataque aos inimigos, usando o aparelhamento de órgãos importantes do Estado revela uma cultura stalinista perigosa, voltado para o uso privado de informações sigilosas sob a guarda do poder público. No caso de petistas, é mais que método: trata-se de verdadeira tara.

O mais grave é que a utilização da Receita Federal põe em cheque a credibilidade de um importante órgão do Estado, que não pertence a governos nem a partidos políticos. Essa confusão entre interesse público e interesse de falanges partidárias demonstra um perigoso pendor à delinquência, em absurdo desrespeito a garantias fundamentais inarredáveis.

Espera-se que o Ministério Público Federal aja com firmeza contra esse grave crime contra a democracia, porque, para agravar a situação, a violação do sigilo fiscal de pessoas próximas ao candidato José Serra apenas demonstra a sua escusa finalidade eleitoral, sempre em favor da candidata oficial.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um problema Universal

Importantes denominações religiosas evangélicas andam com sérios problemas legais nos EUA, como a Igreja Renascer em Cristo e, agora, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). A igreja de Edir Macedo, cujo império no setor de comunicação impressiona (Rede Record de Televisão, RecordNews, portal R7 e, comenta-se, a implantação de uma rede de rádios de notícias, a exemplo da CBN e BandNews), está sendo investigada por envio ilegal de dólares aos EUA. Se entrou por lá ilegalmente, saiu daqui também ilegalmente (evasão de divisas).

A Folha de São Paulo revela que doleiros já aceitaram a delação premiada para falar sobre o envio de dólares da IURD para os EUA (aqui). Somada à investigação sobre a celebração de contratos de hipoteca sem a autorização dos fiéis, em que a IURD teria levando elevada soma em dinheiro nos EUA, essa passa a ser mais uma fonte de preocupações dos líderes da Universal, que já respondem a processo promovido pelo Ministério Público de São Paulo, instituição que coopera com o Ministério Público americano.

Dirão, é certo, que a Igreja do Senhor foi perseguida; não, porém, por evasão de divisas...

sábado, 31 de julho de 2010

Música do fim semana: Ave Maria, por Carmen Monarcha

Poucas músicas emocionam tanto como Ave Maria de Bach-Gounod. Carmen Monarchia é uma cantora lírica de Belém do Pará, atuando na companhia de Andre Rieu, uma das maiores do mundo. Juntam-se uma linda e profunda música, com uma interpretação doce e talentosa. É a música do fim de semana:

domingo, 25 de julho de 2010

Massa: entre a honra e a desonra

Pode-se vencer sem honra; pode-se perder com honra. O terrível é perder abrindo mão da honra, por covardia.

Sou torcedor de Felipe Massa. Desde Senna que não acordava para ver a Fórmula 1 por causa de um brasileiro que julgo com talento para competir e vencer. Massa pode não ser o mais talentoso piloto da Fórmula 1 atual, mas é competitivo e perdeu o título de 2008 por um ponto, devido a erros da Ferrari.

O que não se aceita é submeter o povo brasileiro a outro espetáculo tétrico como o da corrida de hoje, na Alemanha. Massa pulou para a liderança na primeira volta e conduziu-se líder durante toda a prova, controlando as aproximações de Alonso, que não tinha como lhe ultrapassar. A equipe, então, manda-lhe a ordem antidesportiva para que ele permita a ultrapassagem do seu companheiro espanhol. E Massa, a contragosto, permite, não sem demonstrar que a ultrapassagem era um jogo sujo da Ferrari.

Um vitória sem méritos de Alonso, explicitada pela Fon, que cuida das imagens das corridas. Através de vários expediente, a transmissão televisiva mostrou que houve jogo sujo, desonesto, para que Alonso vencesse.

Sinceramente, se Felipe Massa se submeter a esse jogo sujo de equipe, melhor mudar para uma outra em que possa correr, como a Renault ou mesmo, no futuro, a RedBull.  Tem talento para mostrar o seu valor em qualquer outra, sem participar desse lamentável circo.

Massa perdeu, com desonra. Acovardou-se diante da ordem da equipe. Ninguém pode ser punido por vencer! Mas a história há de punir os que abriram mão da vitória por um contrato bem remunerado.

Barrichello levará para sempre essa mancha, porque sempre foi um bom piloto mas acomodou-se na posição de eterno escudo do piloto alemão. Irresignado, mas fazendo o papel de escudeiro, desistindo de competir. Ao ponto de ter de dizer, estupidamente, após uma das tantas corridas em que Schumacher venceu e levou antecipadamente um título, que o campeonato estaria começando agora para ele...

Alonso é um predador. Não tem ética desportiva, como já mostrou no passado ao litigar com Hamilton, além de se beneficiar de um jogo imundo de Flávio Briatore, na Renault. A questão a saber é: Massa será um bom menino? Será um tolo, que assumirá o ônus de ser um pateta na Ferrari?

Essa Fórmula 1 eu não assisto mais. É antidesportiva e cínica. Deixou de ser esporte para ser apenas um negócio descarado. Vamos ver a personalidade de Massa, se honrará ou não a sua história, o seu filho e os brasileiros.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Meus sonhos feito carne

Dia 24, aniversário da Maria Eduarda. Olho para trás, vendo aquela pequena porção de mim chorando deitada no berçário, após o parto. Olhei para aquele rostinho inchado, com feições indefinidas, de uma linda feiúra. Diziam-me que as crianças nascem com a "cara de joelho"; constatei como Deus é sábio: nascem chorando, feinhas, porque são um mistério lindo, insondável, profundo. Ela chorava copiosamente, sentindo-se fora do seu mundo, da proteção do silêncio e do amor do útero materno.

Meu coração apertado. Minha filha! Meus sonhos feito carne!

Tomei-a em meus braços, o choro forte, intenso, profundo. Tantas noites falando para ela na barriga da mãe: "Filhinha, o papai te ama!". Tantas noites fazendo carinho, apalpando, participando daquele remexido, vendo a vida brotando ali, milagrosamente. E ela ali, agora em meus braços, com o choro do chamado à vida.

"Filhinha, é o papai!", disse-lhe carinhosamente ao ouvido. O choro cessou. Os olhos entreabriram-se. Aquela voz lhe era conhecida, trazia alguma boa sensação. Fiquei bobo, emocionado, lágrimas nos olhos.

Um encontro único, enigmático, sem igual. Ninguém pode ser tão amada como aquela criança, simplesmente porque é a melhor parte de mim, o pedaço que melhor me traduz, os olhos pelos quais eu seria capaz dos maiores gestos, dos atos mais improváveis.

Agradeço a Deus ser pai. Pai da Maria Eduarda. Agradeço viver a alegria de ser puxado pelas mãos, como hoje ao chegar cansado em casa, e ouvir um pedido irrecusável: "Papai, vamos brincar de pônei". Lá ia ela, puxando-me, com a outra mão ocupada com um saco repleto de pôneis coloridos, presentes da avó paterna. Sentado ao chão, disse-lhe: "Filha, essa brincadeira de pentear a crina do pônei é de menina". Ela olhou-me ternamente e disse-me: "Ah, papai, brinca comigo, quero ficar com você".

A arte da sedução feminina nasce cedo. Nós, os homens, somos sempre dominados às suas vontades. E fique segurando os pôneis, enquanto ela passa a escova, depois o secador de mentirinha.

Parabéns, minha filha. Hoje, agora, você faz 4 anos de idade. Obrigado, meu Senhor, por esse lindo presente.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Teotônio e Alagoas

Entrei na sala para discutir o processo eleitoral das urnas eletrônicas, cuja ação estava tramitando no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas. O candidato João Lyra questionava o resultado das eleições no Estado, promovendo com competência uma marola de notícias na imprensa nacional.

Teotônio Vilela estava sentado à mesa com um assessor de comunicação. Discutiam a greve da educação, que consumia politicamente os três primeiros meses de governo, após a edição de um decreto que visava colocar em ordem as contas públicas. Os primeiros meses era de movimento grevista dos servidores públicos, com ênfase dos profissionais da educação.

Sentei-me, aguardando o término da reunião. Téo me olhou e perguntou o que estava achando daquele movimento, dos desgastes sofridos pelas primeiras medidas de ajustes do Estado. Sem muitas medidas, fiz uma análise honesta do que estava vendo: era um governo bem-intencionado tomando medidas duras, porém errando na comunicação. A situação dramática das finanças do Estado exigiam medidas severas, porém deveriam ter elas vindas em doses menores e com um aparato de comunicação, que permitisse à sociedade compreender as razões daquelas ações administrativas. Téo, como é do seu feitio, ouviu atentamente, fez algumas perguntas e, lá para as tantas, depois de muito conversa, disse-me em tom meio maroto: - "Rapaz, bem que você podia assumir a Secretaria de Administração...". Sorri, tomando a fala na brincadeira. O assessor de comunicação olhou para o Téo e disse: "Governador, boa ideia. Seria interessante!".

Fiquei surpreso quando o Téo me olhou e fez o convite, agora em tom mais sério: "Adriano, rapaz, você é uma advogado bem sucedido. Poxa, poderia dar uma contribuição ao seu Estado. Seria muito bom você no governo, porque o André Varjas pediu exoneração e estou pensando em nomes para substitui-lo". O meu sorriso sumiu. Vi que a conversa estava tomando um rumo inesperado, ganhando um contorno que não me agradava.

Fui Secretário de Administração no primeiro governo de Ronaldo Lessa. Foi um período difícil, de muitos enfrentamentos. Sofri um desgaste enorme ao defender sozinho medidas polêmicas, como a execução orçamentária do orçamento do ano anterior (1998), já que a Assembleia Legislativa havia derrubado a proposta orçamentária do governo anterior e não deixado nada em seu lugar. Os secretários defendiam uma rendição, dependendo para tudo de créditos especiais solicitados ao Parlamento; eu, com uma visão política do processo, entendia que a execução orçamentária do ano anterior preservava o princípio da legalidade da despesa pública, ao tempo em que dava ao Poder Executivo autonomia frente ao Legislativo, que queria submetê-lo. Evidentemente que passei a ser atacado por isso, muitas vezes de forma covarde, pelos que desejavam o governo servil.

Saí do governo no ano seguinte com o compromisso de mais nunca exercer cargos públicos. O ônus fora muito grande para a minha família. E agora, quase dez anos depois, estava com o convite para exercer o mesmo cargo, em circunstâncias bem mais graves, quando a minha vida já estava estabilizada. Refuguei. Agradeci imensamente o convite, mas disse não ao Téo.

Téo é uma pessoa do bem. Afável, boa-praça, com um jeito meio zen. Aliás, gosta dessas coisas orientais. Diante do meu não, do meu desinteresse pelo cargo, provocou-me de uma forma diferente: "Adriano, você está vendo esse início complicado de governo, a gente querendo acertar, tendo que tomar medidas amargas para corrigir o rumo das coisas, cortando na própria carne. Precisamos da sua participação nisso. Faça uma coisa: venha sofrer comigo!".

Disse isso pegando em meu braço, em uma apelo fraterno, mas sério. E aquilo me desconcertou. O tal "venha sofrer comigo" foi o convite mais estranho que profissionalmente eu havia recebido. E mostrava a grandeza do encargo, de um lado, mas o nível de confiança que ele depositava em mim. Olhei para o Téo, sem jeito para conservar a firmeza da minha negativa, e pedi um prazo para pensar. O assessor de comunicação pegou a deixa: "Ok, amanhã então a gente anuncia!". Epa! Não, precisava realmente de um prazo para consultas. E me foram dados cinco dias.

Saí da sala de reunião e liguei imediatamente para a minha esposa, sabidamente contrária ao meu retorno para o serviço público. "Não, Adriano! Pelo amor de Deus, não!". Disse-lhe que pensássemos juntos, com calma. Liguei para um jornalista, amigo meu, e falei sobre o convite, obviamente pedindo que não publicasse. Gostaria apenas de ouvir a sua visão do governo, da situação política, uma vez que eu não estava acompanhando nada disso. Ficamos de conversar no dia seguinte e o fizemos longamente por telefone. Um bom papo, com ponderações responsáveis e uma conclusão pouco animadora: "Olhe, pelo Estado, seria bom assumir; por você, caia fora!".

Era o início da noite do dia seguinte ao convite. Reuni-me com os meus pais, meu irmão Henrique e a minha esposa. Ana Paula e a mamãe, contrárias; meu pai e o meu irmão, favoráveis. Meu pai foi decisivo para a minha aceitação: "Adriano, ajude o seu Estado. Dê a sua contribuição. Se o Governador lhe chamou nestes termos, é seu dever aceitar". O meu pai é um homem que pensa muito em servir aos outros. Aí estava a chave da sua fala: sacrifique-se por uma causa justa. Assim também o meu irmão.

Diante da altitude moral do meu pai e do meu irmão, as mulheres quedaram-se vencidas. Eu, ainda sem uma resposta, passei a olhar as coisas de uma outra forma. Gastei, porém, os tais cinco dias e fui ao encontro do Téo. Aceitei o convite e o encargo, com uma única condição: apenas me reportaria a ele e teria liberdade para atuar na reformulação da secretaria de administração, mexendo em previdência, alterando os procedimentos das compras públicas, auditando e reformulando a folha de pagamento, desenvolvendo políticas de desenvolvimento de pessoas. Incentivar o servidor público, defendendo o bom serviço público.

Relembro isso, agora, quando se aproxima essa nova eleição, para dizer que foi uma experiência fantástica trabalhar no governo do Téo. Mudamos o Estado, sim. E eu pude contribuir com isso; mais ainda: pude ter a alegria de participar disso. E torço que ele possa liderar esse resgate do Estado por mais quatro anos. Alagoas precisa da continuidade de políticas públicas saudáveis, responsáveis, comprometidas com a inclusão social e a geração de emprego. Por isso, neste espaço pessoal, para além de ser advogado do candidato Teotônio Vilela, ponho-me aqui como eleitor, manifestando publicamente o meu voto.

E vejam, advogar para um candidato não pressupõe ser eleitor dele. Advocacia não se confunde com militância política. Não votaria em alguns dos meus clientes, porque ideologicamente não me afino com eles. Essa a razão pela qual faço questão de manifestar o meu voto, como gesto de consciência.

sábado, 10 de julho de 2010

Cazuza: uma homenagem

Cazuza foi um poeta da nossa geração. Faz vinte anos da sua morte, mas as suas músicas continuam fazendo sucesso, pela linguagem e ritmo. Morreu como viveu: fazendo da sua vida algo estrepitoso, transgressor, confuso. A sua complexidade é a complexidade nossa, do ser humano sempre sedento, à procura de respostas e mais respostas. As drogas, os shows alucinados, as relações problemáticas, tudo revelava em Cazuza essa sede de viver e essa ausência de sentido. As letras das suas músicas, a poesia, o romantismo inquieto, porém, marcavam um espírito de muitas tonalidades, cujo talento sobrepujava muitas vezes o embotamento da razão.

Cazuza foi um dos ídolos da minha geração. A expiação pública causada pela doença e a morte precoce dizem muito do seu temperamento e da sua personalidade. Mas não dizem tudo: as suas músicas falam ainda mais. Deixo aqui postada uma das suas poesias, que mostram o seu talento e como as palavras podem dizer muito, sem dizer tudo. E a imagem dele, alquebrado pela doença, também nos fala muito. Uma homenagem, então. Muito merecida. Mesmo não sendo fã de Cazuza, há músicas de que gosto muito, muito.

Ah, uma lembrança: nessa época aí do vídeo, o Cazuza esteve em Maceió. Estava muito mal, tendo muitas vezes depressão, reações fortes de raiva e revolta. Chegou a tirar a roupa em um show. Era o tempo do Festival de Verão aqui em Maceió, na praia da Pajuçara. É isso aí, a comprovação ad rem que estamos ficando velhos...


quinta-feira, 8 de julho de 2010

Envelhecer e morrer

"- Papai, você vai ficar velho?". Olhei para Maria Eduarda surpreso com a pergunta. Ela me fitou e, antes que pudesse responder, pespegou-me outra: "- Papai, você vai morrer?". Os olhinhos miúdos esperavam uma resposta negativa, como se a eterna juventude pudesse ser adquirida nalguma esquina. Sorri-lhe um sorriso acolhedor, condescendente. "- Sim, filha, o papai vai ficar velhinho e, um dia, vai morrer. Todos nós passaremos por isso, inclusive você. Mas, olhe, vai demorar muiiito", assim mesmo, com ênfase no "i", para dar a sensação de demora sem fim.

A consciência da morte começa precocemente em nós, abrindo-nos para a sede do infinito, esse sentimento que nos diferencia de tudo: os animais, ainda que tenham consciência, ainda que tenham capacidade intelectiva, vivem apenas o presente, o hoje da existência. O ser humano, não, ele olha para o futuro, tentando enxergá-lo.

A pergunta da minha filha não é simples. Há profundidade nela. Velhice e morte são símbolos da corrupção da vida. A diferença entre nós e as crianças é justamente esta: elas se permitem perguntar sobre o que parece óbvio, sem adormecer o que as incomoda. Nós, os adultos, deixamos essas questões em stand by, passando por elas como não existissem, como se morte, por exemplo, não estivesse nos acompanhando dia a dia.

Certa feita, Ana Paula começou a cantar para Maria Eduarda músicas religiosas. Lá para as tantas, cantarolou "Mãezinha do céu, eu não sei rezar / só sei dizer / eu quero te amar / azul é o teu manto / branco é o teu véu / Mãezinha eu quero te ver...". Uma abrupta parada. Olhou para mim com enormes olhos, uma angústia de mãe: "- Não, não agora. Essa parte do ver lá no céu deve ser mudada...". Sim, Ana Paula quer ver Nossa Senhora no céu, em um futuro beeem distante. Também quer que a Maria Eduarda a veja, mas não tão cedo; quem sabe depois dos 80 anos...

Sim, temos uma imensa sede do infinito. Temos uma sede difusa do que tem nome, tem presença, tem constância em nossa história: Deus! É Nele que o envelhecer se transforma em juventude da alma, que a morte é vencida, que a ressurreição é mais que promessa: é fato! É Nele que o homem caído, estiolado pelo pecado, divinizou-se no homem glorificado em Cristo.

Mãezinha do céu, nós não sabemos rezar e queremos, sim, vê-la lá no céu. Reze por nós, media por nossas faltas, sê advogada nossa. E protege nossa filhinha com o seu imenso amor de mãe.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Opinião Pública

Concedi uma longa entrevista ao Yuri Brandão sobre questões jurídicas, sobretudo a lei dos fichas sujas. Ele fez um resumo e o portal Cada Minuto publicou com uma chamada sobre o ponto mais saliente, cujo interesse político é maior: a inelegibilidade, ou não, do candidato Ronaldo Lessa, ex-governador do Estado de Alagoas (aqui).

Olhando os comentários feitos, tanto no Blog do Yuri (aqui) como no portal do Cada Minuto, tirando aqueles que honestamente concordam ou mesmo discordam, vemos aquele interessante fenômeno da internet: os sem-rostos, os sem-nomes, os com-frustração, que saem das sombras sem delas saírem, espargindo a sua raiva, a sua profunda autopiedade traduzida em rancor. Veja esse exemplo:

nattasha silverio em 07/07/2010 às 02:02
Adriano soares, engraçado, até parece gente do bem . Advogado que defende os grandes corruptos.Ele não é besta, não é. Quanto jogo de palavras, quem não te conhece que te compre. Quem o elogia ou não o conhece ou é comparsa.

Miriam Lures em 06/07/2010 às 17:37
Mas gosta de aparecer e está no poder esse Adriano. Trabalhou 8 anos para o grupo do Ronaldo e agora fica jogando essas versões. Na certa tá afim de ganhar um trocadinho.

O irracionalismo é um traço da nossa quadra histórica. Só que hoje, com a internet possibilitando a vocalização da estupidez, essa turma passou a ter meios de vocalizar a sua mediocridade, o seu destempero, a sua fúria ignorante. E aqui se abre uma interessante perspectiva de reflexão: a tal opinião pública, grosso modo, é justamente formada por essa irracionalidade: não há reflexão; há simplesmente a instintiva reação causada por uma epidérmica visão da realidade. Não há argumentos; há esperneio, agressividade protegida pelo anonimato da internet.

Quem exerce uma atividade pública tem que saber conviver também com a reação da patuleia, razão pela qual sempre me diverti com essas manifestações desabridas de alguns. Mais ainda: é a partir de uma convivência com essa forma de manifestação do pensamento (ou ausência dele), que compreendo os limites imensos da tal opinião pública.

Dunga, por exemplo, um dia antes do jogo do Brasil com a Holanda, era aclamado pela opinião pública, conforme pesquisa de opinião do Datafolha. Eliminada a Seleção, Dunga passou a ser "burro", "intransigente", "incompetente", "desequilibrado", etc. Ou seja, as manifestações das massas são sempre se e enquanto.

Bem, aqui chegamos, depois dessa longa volta, para o aspecto que me motivou a escrever esse texto: como podemos admitir que o Poder Judiciário abra mão de decidir com apego à Constituição para decidir com respeito àquilo que a tal opinião pública entende o correto? Foi justamente aqui, aliás, que os parlamentares entraram pelo cano: pensavam que apenas eles poderiam votar politicamente a aprovação de uma lei inconstitucional, para dar uma satisfação à tal opinião pública em ano eleitoral, porém a Justiça Eleitoral terminou seguindo o mesmo trilho que eles.

Assisti ontem o filme "O julgamento de Nuremberg", retratando o julgamento por crime de guerra e crimes contra a humanidade dos líderes alemães capturados. Um filme muito interessante, mostrando que até mesmo aqueles homens, acusados das maiores barbaridades, mereceram um julgamento justo (e tiveram!), em um momento em que todos os alemães é que, na verdade, estavam sendo julgados pelo alinhamento com o regime nazista.  Sim, a massa é que estava sendo julgada; a mesma massa que negou, depois, conhecer as atrocidades do regime.

É isso: queria falar um pouco sem preocupação com um texto mais refinado, longo, fazendo ligações entre esses assuntos aqui tratados difusamente. O essencial é mostrar que não devemos nos submeter à opinião pública: ela, a opinião pública, é uma fotografia, um momento, porque não há uma liga que faça as fluídas opiniões durarem para sempre. E a opinião pública não quer conduzir; quer mesmo é ser conduzida.

sábado, 26 de junho de 2010

Brasil e Portugal

A seleção fez o dever de casa, classificando-se em primeiro no seu grupo, o que lhe dá uma imensa vantagem em termos de tabela. De fato, o lado de lá da tabela é bem mais complicado: Argentina, Alemanha, Inglaterra e Espanha disputarão entre si um lugar na final. Ao Brasil compete superar um único adversário de relativa tradição na história recente, por ter disputado duas finais, a Holanda. Ademais, poderá se haver com o Uruguai na semifinal.

Como se vê, o verdadeiro jogo do Brasil para chegar a uma final será com a Holanda. Chile e, eventualmente, o Uruguai, são jogos que, embora complicados em uma Copa do Mundo, são de obrigatória vitória do Brasil. Assim, a verdade é que essa Copa, em termos de tabela, está à feição para o time de Dunga, semelhante àquela da Copa de 1994. Lá, como aqui, a Argentina se fazia, por méritos seus, uma das favoritas ao título. Foi abatida no meio do caminho pelo dopping de Maradona. Agora, é o mesmo Maradona que conduz a sua seleção para disputar uma vaga contra outras seleções fortes e tradicionais. Se der a lógica, a Argentina vai às quartas contra a Alemanha e, se passar, se encontra com a Espanha na semifinal.

Ontem à noite assisti novamente o segundo tempo do jogo do Brasil contra Portugal. Impressiona que a escalação do meio de campo da seleção tivesse uma improvável formação: Gilberto Silva, Daniel Alves, Josué e Ramires. Ao interesse de Dunga, fazia sentido: não perder de Portugal - que jogou recuado, mesmo no segundo-tempo, respeitando a camisa do adversário - era o objetivo, pelo que significava em termos de tabela. Ele, Dunga, renunciou há muito ao jogo bonito, preferindo o jogo efetivo e de resultados. Culpa da seleção obesa de 2006: talentosa e preguiçosa.

Vamos ver o que vai dar.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

No Twitter

Estou no Twitter. É uma forma de comunicação rápida, em espaço limitado (140 toques). É uma febre da comunicação moderna, fast food. Convido-os a me seguir nas tuitadas. O endereço é aqui:


Ah, o nome do endereço do Twitter vem do ano do nascimento. Não é por gosto. Bem, deixa pra lá.

Alagoas sob as águas

As imagens falam por si. O drama de famílias alagoanas, submetidas a uma impressionante catástrofe causada pelas chuvas.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cala a boca, Galvão

Uma deliciosa brincadeira que ganhou o mundo: a campanha "Cala a boca, Galvão", que tomou conta do Twitter. Em um vídeo bem bolado, os anarquistas inventaram uma campanha para salvar o pássaro em extinção "Galvão". Pediam, então, que as pessoas colocassem no Twitter a expressão "Cala a boca, Galvão", porque a cada twuitada geraria uma determinada receita para a Fundação Galvão. Virou febre. Veja o vídeo:




A história ganhou o mundo. Reproduzo a matéria do El País, o mais importante jornal da Espanha. Uma graça, sem dúvida.


'¿Cala boca, Galvao?'

Un mensaje en Twitter con una broma de los usuarios brasileños está en los 'Trending Topics' desde hace días

MARINA GONÇALVES - Madrid - 15/06/2010

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"Cala boca, Galvao" (Cállate la boca, Galvao) está en los Trending Topics (los temas más populares) mundiales de Twitter desde hace por lo menos tres días. Unos dicen que es el nuevo videoclip de Lady Gaga; otros que es una campaña para salvar a una especie rara de pájaros en Brasil. La verdad es que "Cala boca, Galvao" es una gran broma de los usuarios brasileños de Twitter -el país es el segundo del mundo en número de usuarios, detrás de los estadounidenses. Galvao Bueno es uno de los comentaristas deportivos más conocidos en el país del fútbol. Y "cala boca" significa cállate la boca.

      La noticia en otros webs

      El comentarista deportivo brasileño Galvao Bueno, que generó la petición en Twitter es el gran tema de la prensa brasileña antes del estreno de la canarinha, hoy, a las 20:30. Ayer por la noche, la TV Globo contestó de manera divertida la solicitación de los aficionados - que piden en la red social que Galvao deje de hablar tanto durante los partidos - y ha creado un videojuego con las frases más populares del locutor, que está en Sudáfrica. El juego se llama Fala, Galvao! (!Habla, Galvao!).

      La broma empezó en la ceremonia de apertura del Mundial, el viernes pasado, cuando Galvao Bueno, periodista de la TV Globo, no paraba de hablar durante la retransmisión. Los brasileños empezaron a tuitear la expresión. Y después de algunas horas la frase ya estaba en el pico de los Trendings Topics. Los usuarios que no sabían portugués, los estadounidenses principalmente, empezaron a preguntarse lo que significaba la expresión y los brasileños crearon varias versiones, todas ellas falsas.

      Una de las historias inventadas es la versión de que "Cala boca, Galvao" es el nuevo videoclip de la cantante Lady Gaga. Comenzó otra avalancha de tweets y noticias que querían saber dónde estaría la versión oficial del vídeo. Pues un brasileño creó una. En un día obtuvo más de 50.000 reproducciones. La versión más difundida, sin embargo, es que "Cala a boca, Galvao" hace referencia a una campaña del Galvao Institute, instituto creado para salvar los pájaros Galvao, casi extinguidos en Brasil. Según un vídeo en inglés colgado en Youtube, las aves son asesinadas en la época del carnaval y sus plumas son utilizadas en los disfraces. Por cada tweet, el instituto ganaría 10 céntimos de real (aproximadamente 4 céntimos de euro). Hasta ahora más de 180.000 personas vieron el vídeo.

      domingo, 13 de junho de 2010

      No mundo de Xuxa

      Final de semana em São Paulo. Ana Paula, Maria Eduarda e eu. Passamos o sábado praticamente no Mundo da Xuxa, um espaço maravilhoso para as crianças brincarem. Um Xuxa Só Para Baixinhos de verdade, em que as crianças brincam e convivem com a Xuxinha, o Txutxucão, a Bila Bilu, o Teddy e as Paquitas.

      A Maria Eduarda adorou. Mas nós também, os pais, nos divertimos. Viramos crianças também, mesmo com todo o cansaço.


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      Um dia gostoso, sem dúvida. Brincar e sorrir compensam os desgastes, os aborrecimentos, os compromissos todos. Um dia completo, pleno, porque o que poderia faltar se fez em tudo presente.

      Só faltou a Argentina perder para a Nigéria. Mas aí, também, já seria pedir muito.

      domingo, 6 de junho de 2010

      Música do Fim de Semana: Laura Pausini

      Uma ótima música de Laura Pausini, com a sua voz doce, a melodia suave e intensa, que faz com que a italiana tenha rasgado fronteiras e feito um imenso sucesso no Brasil.


      terça-feira, 1 de junho de 2010

      Djavan para djavaniar

      Ficou faltando músicas aqui. Como ando viajando demais, em palestras pelo Brasil, termino nem sempre pudendo vir aqui. Mas dá para deixar uma do Djavan, para quem gosta de boa música, da qualidade desse alagoano genial.

      quinta-feira, 27 de maio de 2010

      OAB e 17ª Vara: petição necessitando de emenda

      Eu aplaudi a ação proposta pela OAB contra a 17ª Vara, pelo tanto de inconstitucionalidade que a lei contém. Adverti, nada obstante, que a ação tecnicamente era trôpega, claudicante. E não deu outra, infelizmente. A OAB passou a ser instrumento de anarquia da classe jurídica e política. A opinião pública, que por desconhecimento não viu méritos na ação proposta, agora trata de modo debochado, mangando gostosamente da Ordem em razão do despacho do Min. Eros Roberto Grau, do STF, que mandou a OAB corrigir a procuração ofertada ao advogado para patrocinar a ADI. Bem, ao menos a OAB/AL pode dividir o ônus do infortúnio com a OAB Nacional. Uma barbaridade, sem embargo, como noticiado pelo Cada Minuto (aqui):

      O Conselho Federal da OAB vai ter que refazer a peça da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que contesta a lei que criou a 17ª Vara Criminal da Capital em Alagoas, que é composta por um colegiado de juízes que atuam nos processos referentes ao crime organizado.

      De acordo com o ministro Eros Graus a entidade tem que especificar na sua ação quais os artigos da Constituição Federal que a criação da 17° Vara supostamente desrespeita.

      Com a decisão o processo volta praticamente a estaca zero, já que a OAB vai ter que refazer a Adin e novamente enviar ao STF.

      A medida trouxe polêmica e vem sendo alvo de várias discussões entre advogados ligados a Ordem e juízes e entidades como Ministério Público e Policia Civil que acreditam que o fim da 17°Vara seria um retrocesso na luta contra o crime organizado.

      terça-feira, 18 de maio de 2010

      17ª Vara: inconstitucionalidade! A OAB cumpre o seu papel

      A OAB ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a lei alagoana que criou a 17ª Vara Criminal de Maceió. Já tivemos a oportunidade de fazer críticas aqui à atuação da 17ª Vara, composta por cinco juízes, com jurisdição para todos o Estado de Alagoas, cuja competência é fixada por eleição do Ministério Público ou dos próprios juízes que atuam na 17ª Vara: compete à 17ª Vara qualquer crime em que figure duas ou mais pessoas e que ela própria, a 17ª Vara, considere tratar-se de uma organização criminosa. Isso mesmo: em Alagoas as organizações criminosas podem ser formadas apenas por duas pessoas!

      Mesmo pendente de uma definição legal, em âmbito próprio, que é a legislação federal, o legislador alagoano conseguiu o feito de inovar até mesmo a Convenção de Palermo, legislando sobre direito penal material e criando um novo tipo penal. Mais não bastasse, também fez das suas na seara do processo penal, menoscabando o juiz natural, criando uma jurisdição a meio caminho de uma espécie de segunda instância, superpondo-se aos juízes das demais varas criminais, podendo os juízes da 17ª Vara inclusive escolher os processos que nela tramitariam.

      O texto da petição inicial da ADI 4414 pode ser lida aqui. Pode não ser um primor a sua redação, mas vai ao nervo do problema e esgarça as ilegalidades de uma lei ridícula e escandalosamente inconstitucional (leia a aberração legislativa aqui).

      sábado, 15 de maio de 2010

      Joana

      Joana é uma grande intérprete. Dia desses vi o seu sucesso em Portugal, no canal RTPi. Há músicas, cantadas em sua voz suave, que ganham em poesia, porque o intérprete pode, sim, ter o dom de transformar uma canção, fazê-la maior, mais forte. Como acostumamos a ouvir "bicicletinha", no estilo baiano de fazer música, é bom de quando em vez ouvir a boa MPB, adocicada com a voz suave de uma ótima intérprete.


      Por indicação de Luis Nassif, lá no blog dele, vale a pena ouvir também Karolina Pasierbska. A mulher tem uma linda voz e um baita repertório. Então, um fim de semana musical para todos:

      domingo, 9 de maio de 2010

      Dia das mães: dia do amor

      Mãe. Uma palavra doce, plena de significados. Mãe é o amor pleno, sem limites, sem condicionantes, sem porém. É o amor em estado puro, a renúncia total, o aniquilar-se pela felicidade de alguém que, sendo outro, é a continuidade de si.

      Como pai, sei o que é ser mãe, esse amor à beira da irracionalidade, essa entrega ilimitada e infinita em noites longas de vigília, de cuidados, de desvelo. Como pai sei o papel fundamental da mãe para o equilíbrio e a alegria de uma filho.

      Maria Eduarda é uma criança feliz por ter uma mãe amorosa, cuja doação é o atributo maior do amor. Por isso é segura, tem personalidade, sabe o que é carinho, amor, atenção e zelo.

      Então, Paula, no seu dia, uma homenagem da sua filha e do seu marido, com muito amor. Como lhe disse hoje na Missa, obrigado por ter me dado o maior presente da minha vida: a minha filha, a minha Maria Eduarda. É fruto do seu amor, da sua dedicação, da sua vontade de superar as dificuldades para nos dar uma linda filha, um sonho feito carne.

      Feliz dia das mães!!! Com amor, Maria Eduarda e Adriano.


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      quarta-feira, 5 de maio de 2010

      Uma vez Flamengo, sempre Flamengo

      FLAMENGO!!!!!!!!!!

      Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!!!!

      Linda derrota do Flamengo! Maravilhosa derrota!!!!

      Eliminamos o Corinthians e vamos em frente na Libertadores....

      Contrários

      Estou em Brasília para fazer uma palestra. Paula veio me acompanhando. Daqui, sigo para fazer uma palestra em Campina Grande. Tem sido muito corrido esse período, com muitas viagens e uma série de convites pendentes. Nem sei se terei condições de atender a todos. Farei o possível. Esse intercâmbio é importante, porque posso ir consolidando algumas das minhas reflexões sobre o Direito Eleitoral.

      Amanhã haverá debates. O tema não é da minha predileção, mas como tenho uma posição diferente do senso comum, fui instando a discutir financiamento de campanhas eleitorais, tendo como debatedor o Procurador Regional Eleitoral de São Paulo. Será interessante, sem dúvida.

      Enquanto leio aqui as Resoluções do TSE, o Flamengo vai se classificando sobre o Corinthians. Espero que termine o jogo assim.

      Estava ouvindo uma linda música do Pe. Fábio de Melo, cantada em dueto com André Leonno. Compartilho com vocês. É uma música que fala sobre vitórias e derrotas, sobre a esperança a partir das adversidades. É uma poesia a letra, que fala de sentimentos contrários, mas sobretudo sobre a riqueza do amor.

      Fica a música e a letra de presente, enquanto estudo aqui e torço pelo Flamengo. Ah, apesar da campanha desagradável do Dindo (Aldemar), a Maria Eduarda é convictamente torcedora do Flamengo. E o que é maravilhoso, sem nenhuma indução do pai, sem lavagem cerebral, enfim. Basta sair um gol, seja de que time for, ela já grita "Gol! Flamengo!". Essa menina sabe tudo de futebol...



      Só quem já provou a dor
      Quem sofreu, se amargurou
      Viu a cruz e a vida em tons reais
      Quem no certo procurou
      Mas no errado se perdeu
      Precisou saber recomeçar

      Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar
      Porque encontrou na derrota o motivo para lutar
      E assim viu no outono a primavera
      Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer

      Que o verso tem reverso
      Que o direito tem avesso
      Que o de graça tem seu preço
      Que a vida tem contrários
      E a saudade é um lugar
      Que só chega quem amou
      E que o ódio é uma forma tão estranha de amar

      Que o perto tem distâncias
      Que esquerdo tem direito
      Que a resposta tem pergunta
      E o problema solução
      E que o amor começa aqui
      No contrário que há em mim
      E a sombra só existe quando brilha alguma luz.

      Só quem soube duvidar
      Pôde enfim acreditar
      Viu sem ver e amou sem aprisionar
      Quem no pouco se encontrou
      Aprendeu multiplicar
      Descobriu o dom de eternizar

      Só quem perdoou na vida sabe o que é amar
      Porque aprendeu que o amor só é amor
      Se já provou alguma dor
      E assim viu grandeza na miséria
      Descobriu que é no limite
      Que o amor pode nascer