domingo, 7 de fevereiro de 2010

Música do Fim de Semana: Uma oração

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Navegadores da internet: Chrome e Opera são os melhores

Para quem gosta de navegar na internet, dou uma sugestão: o melhor navegador, hoje, é o Google Chrome. Desde o seu lançamento venho usando, porém sempre como segunda opção, quando tenho pressa. A minha primeira opção era o Firefox, mais leve que o Internet Explorer, com várias extensões disponíveis, que ampliavam as possibilidades de uso. Acaso algum site rodasse bem apenas com o Explorer, o Firefox disponibiliza o IE-Tab, que permite rodar o Explorer dentro dele.

O Chrome nasceu com um defeito gravíssimo, ao menos para mim: não permitia acoplar a barra de ferramentas do próprio Google ou do Yahoo, com a lista de favoritos nas nuvens, que pode ser acessada de qualquer computador. Agora, com o Chrome 4.0, o usuário pode colar os favoritos do Google na barra de navegação, sincronizando todos os computadores. Salvando um favorito no Chrome, automaticamente salva no Google, estendendo-se a todos os computadores do usuário.

Desse modo, o defeito capital foi superado, com uma vantagem: o Chrome permite também extensões idênticas ao Firefox, criadas por diversos usuários, já que o seu código é aberto. Entre as extensões, o importante IE-Tab. Assim, conservou a sua melhor característica original, a leveza e rapidez, com as vantagens do Firefox.

Para completar, penso que hoje o segundo melhor navegador é o Opera. Rápido, bonito, permite que os favoritos sejam salvos nas nuvens pelo usuário, sincronizando com outros computadores, de modo que resolveu um dos seus pontos fracos, tal como o Chrome. Além disso, também permite o IE-Tab como extensão, possibilitando rodar sites que originariamente não rodaria bem.

O Chrome e o Opera são mais leves e ágeis que o Explorer (cada vez mais pesado e ultrapassado) e o Firefox, sendo hoje os melhores navegadores para a internet. O Firefox, em sua última versão, buscou melhorar a sua agilidade, mas ainda com poucos resultados positivos.

Ah, esse post está sendo escrito e postado no Opera.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tiago Fernandes: o nosso tenista

Tiago Fernandes. Um orgulho para os alagoanos, porque não é fácil vencer saindo de um Estado pobre e limitado como o nosso. Um garoto de 17 anos, que volta ao Brasil depois de vencer a chave juvenil do Australian Open. É certo que ele treina com a equipe do técnico Larri Passos, porém não foi sempre assim. Melbourne é o ponto de chegada de um esforço pessoal, mas também da família que apostou no seu talento e na dedicação. Falei em ponto de chegada. Disse mal; trata-se de ponto de partida para novos desafios, que poderão colocar o alagoano entre os nossos maiores tenistas da história. Se isso vai ocorrer, é cedo ainda.

Ao Tiago, o nosso abraço orgulhoso, porque serve de exemplo para os jovens do nosso Estado: o talento não escolhe aonde nasce, brotando em qualquer rincão. Que bom que foi em nossas paisagens bonitas. As mesmas que viram Pontes de Miranda, Djavan, Graciliano Ramos, Aurélio Buarque de Hollanda, Jorge de Lima, e tantos outros. Agora é a vez do menino Tiago. Sucesso, rapaz.

Chávez questionado

Há um cheiro de queimado na Venezuela... e não é o petróleo da PDVSA. O ditador bolivariano começa a perder apoios significativos, inclusive dentro de círculos em que era o líder inconteste. O regime parece começar a ter fissuras imensas, justamente porque Chávez está frágil aonde era imbatível: as camadas mais pobres da população já não têm ilusão sobre a mudança da qualidade de vida. O que antes era a promessa de repartição do bolo advindo do petróleo, hoje há apenas a universalização da pobreza: todos são iguais na falta de água, de energia e de acesso a gêneros alimentícios.
Chávez começa a ser questionado não apenas pela oposição histórica ao regime, mas pelos órfãos das suas promessas não cumpridas. Neste ritmo de evidente estagnação econômica do país, poderá alguém dizer a ele como Clinton a Bush: "É a economia, estúpido!".

EFE

Ex-aliados de Chávez pedem renúncia do presidente

Seg, 01 Fev, 01h55

Caracas, 1 fev (EFE).- Um grupo de ex-aliados do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, integrado por antigos ministros, militares e congressistas, pediu a renúncia do líder após sustentar que tudo o que defendeu para chegar ao poder em 1999 "hoje o ilegitima".

Chávez "não tem autoridade moral e material para governar, pois não responde à satisfação das exigências do povo", diz o texto dos ex-aliados publicado hoje em vários jornais.

Os ex-chavistas, entre os quais se destaca o ex-chanceler Luis Alfonso D'Ávila, o ex-chefe militar e ministro da Defesa Raúl Baduel e os ex-altos comandantes militares Yoel Acosta e Jesús Urdaneta, que apoiaram a tentativa de golpe de Chávez em 4 de fevereiro de 1992, assinam o texto do chamado Pólo Constitucional, ao qual pertencem.

Entre os argumentos que Chávez utilizou para chegar ao poder, destaca-se o projeto bolivariano e a luta contra a insegurança pessoal e jurídica, a pobreza, a corrupção e outros assuntos, ressaltou o Pólo Constitucional.

Após uma década de Governo, "a pobreza se aprofunda", os serviços públicos "são um caos", a economia "vive uma de suas crises mais profundas apesar da abundância petrolífera" e a corrupção, "que constitui o estigma moral de um Governo e foi bandeira de sua proposta política, tem hoje o enriquecimento ilícito mais obsceno já visto no país".

"Funcionários, familiares e personagens conhecidos como os 'boliburgueses' (burgueses bolivarianos) saquearam administrações, ministérios, Prefeituras, empresas do Estado", assegura o texto opositor.

Sobre iniciativas legais contra jornalistas e meios de comunicação, o Pólo Constitucional manifesta que "corroboram a violação descarada e permanente dos direitos humanos (...), o que, combinado à arbitrariedade, à maneira sistemática e à irresponsabilidade, reforçam, além disso, sua ilegitimidade de desempenho" presidencial.

Chávez disse neste domingo em seu programa dominical de rádio e televisão "Alô Presidente" e em seu artigo semanal "As linhas de Chávez" que observou nas manifestações contra ele nos últimos dias "o mesmo formato de violência" de abril de 2002, quando foi derrubado durante dois dias. EFE

domingo, 31 de janeiro de 2010

O império do amor: Fla 5 x 3 Flu


Em um jogo eletrizante, o campeão brasileiro mostrou a sua força e a garra da camisa rubronegra: 5x3 no Fluminense, em uma virada fantástica, mesmo com um homem a menos (o zagueiro Álvaro foi expulso no início do segundo tempo, logo após o empate em 3x3).

O primeiro tempo foi do Fluminense, que jogou melhor e dominou a partida, sobretudo pelas excelentes jogadas do menino Maicon e o talento de Alan, outra promessa do nosso futebol. Diguinho foi outra peça importante na armação das jogadas mais incisivas. O Flu fez 2x0, levando um gol de pênalti. O primeiro tempo terminou em um desolador 3x1 para o Flu.

Andrade, mais uma vez, mostrou o porquê de ser um grande técnico. Mexeu no time, metendo Willians na lateral (a tentativa com Fierro na lateral não deu certo) e o excelente Vinicius Pacheco, em substituição a Pet e Fernando. Foi um segundo tempo arrasador: aos 8 minutos o jogo já estava empatado em 3x3.

Depois da expulsão de Álvaro, o Flamengo não deixou o Fluminense dominar, em uma impressionante dedicação e raça dos jogadores. Wagner Love, autor de um dos gols, foi todo entrega, ajudando na defesa e participando de um dos contra-ataques que terminou em gol de Adriano.

No final, um 5x3 supino, com a torcida do pó de arroz indo embora, deixando os hexacampões brasileiros sonhando com o tetracampeonato carioca. A dupla Adriano Imperador e Wágner Love mostraram que o império do amor é já uma realidade letal para os adversários.



FLUMINENSE 3 x 5 FLAMENGO

Fluminense
Rafael; Gum, Leandro Euzébio e Cássio (Kieza); Mariano, Diguinho, Everton, Darío Conca e Júlio César (Marquinho); Maicon (Willians) e Alan.
Técnico: Cuca

Flamengo
Bruno; Fierro (David), Álvaro, Ronaldo Angelim e Juan; Toró, Fernando (Willians), Kleberson e Petkovic (Vinícius Pacheco); Vagner Love e Adriano.
Técnico: Andrade

Data: 31/01/2010 (domingo)
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)
Auxiliares: Dibert Pedrosa Moisés (RJ) e Luiz Antônio Muniz de Oliveira (RJ)
Cartões amarelos: Cássio, Everton, Diguinho, Júlio César e Willians (Fluminense). Juan, Álvaro, Ronaldo Angelim e Willians (Flamengo).
Cartão vermelho: Álvaro, aos 16 minutos do segundo tempo (Flamengo).
Gols: Alan, aos 14 minutos; Darío Conca (pênalti), aos 40minutos; Adriano (pênalti), aos 43 minutos; e Cássio, aos 46 minutos do primeiro tempo. Vagner Love, aos 7 minutos; Kleberson, aos 9 minutos; Adriano, aos 37 minutos; e Adriano, aos 44 minutos do segundo tempo.

Pais e filhos

A relação pais e filhos não é fácil. Aliás, nunca foi, mesmo em sociedades de formação patriarcal. Com a mudança cultural vivida pela revolução sexual (com a liberdade maior do desenvolvimento da sexualidade), revolução feminista (em que a mulher buscou o seu lugar no mundo, agora com a liberdade sexual obtida pelos meios contraceptivos, com luta pelos mesmos postos de trabalho dos homens) e revolução tecnológica, sobretudo através dos meios de comunicação (a internet e o celular mudaram as interações humanas, aproximaram globalmente as pessoas e permitiram o acesso direto e vertiginoso à informação), as relações familiares mudaram substantivamente.

Pais e mães passaram também a ver uma mudança no seu próprio papel, agora indefinido em certa medida. O pai provedor foi substituído, de vez que normalmente a mulher está no mercado de trabalho também, ajudando com as despesas da casa. Mesmo que assim não seja, o papel do pai passou a mudar também pela exigência de que ele se envolva mais no dia a dia dos filhos. Assim, com a igualdade na relação conjugal, não há mais uma hierarquia tácita no processo decisório: a própria educação passa a ser um processo de negociação entre os pais, que devem buscar conciliar valores, padrões e regras.

A família mudou, portanto. Mesmo aquela mais tradicional, com pais vivendo juntos e sem filhos de outras relações, passaram pelo influxo dessas mudanças profundas, o que implica em não sobrevalorizar nenhum deles no processo educativo.

Na revista Veja desta semana, há uma ótima entrevista com o psicólogo Jerome Kagan (aqui), em que ele mostra que a mãe não é mais influente do que o pai no início da vida do filho, tendo ambos um papel importante e, evidentemente, diferente. As mães, que em razão do processo de gravidez, depois pela amamentação, tornam-se fundamentais para o desenvolvimento físico e emocional da criança, muitas vezes terminam vendo os filhos como sendo seus, sobrevalorizando a sua importância em relação à do pai. Esse equívoco, quando estimulado, muitas vezes leva a um excesso de proteção da criança, uma dependência exagerada da figura materna, em imenso prejuízo futuro.

É pelo diálogo e compreensão mútua que o casal pode encontrar um justo equilíbrio na formação dos filhos, gerando um processo educativo dinâmico, maduro e consequente. Assim, os pais podem complementar os seus carismas, a sua visão de mundo, auxiliando a formação equilibrada de filhos saudáveis. Numa visão complexa da vida, podem gerar aquela força unitiva na diferença, que só o amor verdadeiro é capaz.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Música do Fim de Semana: Pais e Filhos

Legião Urbana foi um conjunto que marcou os anos 80 e 90, com músicas de letras bem trabalhadas. Renato Russo, o seu líder, morreu precocemente, deixando um legado para o rock nacional, fazendo da irreverência e inteligência o seu diferencial. A música de hoje fala por si.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sequestro por telefone

Era para ser dois dias de descanso, ao menos. Como férias não tive, dois dias serviriam ao menos para a família estar junta, curtindo um pouco o convívio dos três. Qual nada. Ontem, fomos à praia, mas nem tudo foi positivo. Nada demais, mas não foi tão proveitoso como poderia ser. Hoje, a ideia era sair da cidade. Era. Porque os meus pais foram vítimas do golpe do sequestro por telefone.

O golpe é antigo, muita gente sabe que ele existe, mas na hora em que ocorre e pega a vítima de surpresa é um sai de baixo... Como ele funciona? Uma matéria de 2007 do G1 (aqui) explica muito bem:
"Uma variante de um golpe já conhecido pela polícia está assustando um número crescente de pessoas em São Paulo. O anúncio, por telefone, do falso seqüestro de um parente ganhou "efeitos especiais". Seis pessoas ouvidas pelo jornal "O Estado de S. Paulo" foram vítimas do crime nos últimos 30 dias. Depois de escolher um número, geralmente de forma aleatória, a maioria dos criminosos faz uma chamada a cobrar, em um celular pré-pago, e coloca na linha uma pessoa gritando ou chorando, para simular o desespero do suposto refém.

A voz - muitas vezes as quadrilhas usam gravações - some rapidamente, sem dar tempo para que o parente tente trocar algumas palavras, o que aumentaria o risco de a farsa ser descoberta. Em seguida, começam as ameaças. A ligação costuma ocorrer de madrugada, entre 4 e 5 horas, para pegar a vítima com sono e desprevenida.Foi o que ocorreu com uma jornalista de 50 anos, moradora da zona sul da capital. Às 4h30 do dia 3 de janeiro, ela atendeu ao telefone e ouviu uma voz feminina aos berros: "Mãe, eles vão me matar".

Confusa, ela acreditou que se tratasse de uma das filhas, que estavam viajando. Só desconfiou do golpe por um motivo quase cômico. "Uma hora ela disse: 'eles vão matar eu (sic)'. Minha filha não cometeria um erro de português desses." Ela desligou, mas só foi se acalmar quase uma hora depois, quando conseguiu falar com as filhas."

Foi isso mesmo que aconteceu. Por volta de meia-noite o telefone tocou na casa dos meus pais. Mamãe acordou e atendeu sobressaltada. A chamada era a cobrar. Mãe é mãe e já pensa logo no pior: poderia ser um filho (todos ainda criança, como eu, o caçula, com a minha tenra idade de 40 anos) necessitando dos cuidados da mãe zelosa. Do outro lado da linha, uma voz feminina dizendo desesperada: "- Mainha, eles me sequestraram!". Em seguida, entra o sequestrador, que fez toda a sorte de ameaças, dizendo que não desligasse o telefone, que não falasse com ninguém, senão ia matar a minha irmã. O papai sentou-se ao lado da mamãe, acompanhando aquele diálogo terrível. Vez por outra, os dois se comunicavam por bilhetes, a mamãe pedindo que nós não fôssemos chamados para não colocar a minha irmã em risco.

Ora, meus pais ficaram nesse mundo paralelo durante toda a madrugada, sem dormir, sob intensa pressão psicológica. Pela manhã, a mamãe teve que ir ao banco, sempre com o celular ligado e com o sequestrador do outro lado da linha, para fazer um depósito em contas indicadas, além de obrigá-la, antes, a comprar crédito para celular e passar a numeração para ele.

Mesmo diante da insistência do gerente do banco, alertando para a farsa, a minha mãe, em seu desespero, determinou o repasse de parte do dinheiro pedido, até que a farsa finalmente se desfez e ela caiu em si: o golpe fora bem sucedido mesmo assim, ao menos em parte.

Ficamos todos com um sentimento de raiva e impotência. Afinal, meus pais são pessoas idosas, que não mais toleram esse tipo de intensa emoção. Foram levados a Santa Casa de Maceió, fizeram exames e, graças a Deus!, constatou-se que estavam bem, sendo liberados em seguida, medicados levemente apenas preventivamente.

Conto esses fatos aqui apenas para alertar a todos os que lêem que ninguém está livre desse tipo de golpe, sendo importante alertar as pessoas próximas para não se submeterem a isso: na dúvida, exijam falar com a suposta vítima do sequestro. Sem isso, desliguem o telefone. É lorota.

Ah, os velhos estão bem e já demos boas risadas depois de tudo. Afinal, rir é ainda o melhor remédio diante desses episódios da vida.
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Atualizado às 17h03, de 30 de janeiro de 2009.
Agora que o sufoco passou, o inusitado. A mamãe, tão preocupada em salvar a vida da filha, ficou toda a madrugada com o telefone ligado, porque o sequestrador não a deixava nem dormir nem desligar. Pela manhã, a mamãe queria ir ao banco ao menos tomada banho. O sacana não se fez de rogado: sem problemas, desde que ela tomasse banho com o telefone ligado para escutar o barulho da água do chuveiro e ter certeza que ela não iria chamar ninguém. Entre a razão e a vida da filha que supostamente corria perigo, obviamente a mamãe obedeceu e permaneceu com o telefone ligado.

O meu irmão Dom Henrique, que esteve esses dias em Maceió, levou o papai e a mamãe para a Santa Casa, para aquele exame preventivo. E não é que o sequestrador telefonou novamente para a mamãe? Aí foi ele quem atendeu e tentou convertê-lo a ser ovelha de Deus: "- Seu filho da #@&@, vamos botar a polícia atrás de você....". Foi um sermão rápido, mas eficaz.

Venezuela: democracia ameaçada; Brasil: sonho bolivariano.

Evitei falar aqui sobre o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), sobretudo porque sobre ele tenho as mesmas opiniões críticas expressadas por Reinaldo Azevedo em seu cada dia mais influente e indispensável blog (aqui). O PNDH-3 é um programa tupiniquim de cunho bolivariano, cuja finalidade principal é institucionalizar certas taras da esquerda latinoamericana, como o "controle social da mídia", uma expressão cunhada para esconder o seu real sentido e interesse: o controle partidário da mídia, submetida à camisa de força de sindicatos, ONGs e do aparelhamento estatal feito pela militância petista e cutista (o que é quase a mesma coisa).

O PNDH-3 é um longo texto escrito em linguagem repleta de macaquices acadêmicas, típicas de uma panelinha metida a intelectual, que faz de expressões boçais um diferencial para dar o verniz de intelectualidade ao que escrevem. Reinaldo Azevedo deu conta da expressão transversalidade, para significar aquela ideia ou conjunto de políticas que perpassariam diversos segmentos como educação, cultura, esporte, comunicação etc. Tudo no governo federal haveria de ser transversal, justamente para permitir que a lógica/ideologia da ala mais anacrônica do petismo pudesse trazer para a sua zona de influência temas que não lhe estariam afetos, como as políticas públicas sobre a comunicação social, por exemplo.

Os bolivarianos tupiniquins desejam a venezuelarização do Brasil, transformando o país naquele circo dos horrores em que vem se transformando o país comandado por Chávez. De fato, Chávez conseguiu, com a sua longevidade no poder, destruir a mídia local, solapando a liberdade de expressão e passando para o governo 70% dos meios de comunicação social. As maiores redes de televisão perderam a sua liberdade, sendo perseguidas, como a Globovisión, ou simplesmente fechadas por falta da renovação da concessão pública, como a RCTV. As rádios foram em sua maioria esmagadas, deixando cada vez mais a população tendo acesso apenas às informações oficiais, em uma política que é claramente inspirada em Cuba, do companheiro Fidel Castro.

É certo, porém, que a destruição econômica da Venezuela pelo modelo bolivariano é sentida pelas pessoas em suas vidas práticas. Falta água, há escassez de energia elétrica, faltam alimentos, a inflação começa a fragilizar o poder de compra, há fuga de capitais, a nacionalização das empresas tornou a indústria ineficiente... Ou seja, o socialismo do século XXI, anunciado pelo chavismo, nada mais é do que uma ditadura corrupta, incompetente, que usa o terror como método (Chávez criou milícias paraestatais inspiradas no nacional-socialismo de Hitler) e a manutenção do poder absoluto como fim.

A sociedade começa a reagir contra a ditadura bolivariana. Como sempre, os estudantes estão à frente da resistência, lutando por liberdade de expressão e pela democracia. A foto publicada pelo jornal El Nacional, que correu o mundo, mostra como a ditadura chavista é símile às demais ditaduras na hora da repressão aos que lutam por liberdade: as armas são os argumentos usados contra a juventude. Outra, publicada na Veja (lá em cima, de Leonardo Ramirez/AP), mostra o silêncio imposto aos estudantes.

E a nossa esquerda? O que falaram sobre essas imagens os nossos bolivarianos? O que disseram sobre os últimos suspiros da democracia na Venezuela os autores intelectuais da Comissão da Verdade? Nada, senão o apoio velado ao regime totalitário venezuelano. A UNE, que no passado fora uma organização brasileira respeitada, que fez a história lutando contra a ditadura, é uma entidade pelega, que faz o jogo da esquerda anacrônica, amparada em muita grana que recebe do governo federal. Não se manifestou uma única vez em favor dos estudantes venezuelanos, até mesmo porque Chávez parece ser o ídolo dessa turma que aparelha a UNE dos dias atuais.

Bem, se não há canais de comunicação de massa disponíveis, os venezuelanos fazem o que se faz no Irã e na China: internet neles! E aqui contribuímos, dentro dos nossos limites, com a democracia, replicando o vídeo em que a população dá o seu recado ao ditador. Como informa Reinaldo Azevedo, "O evento ocorreu no domingo passado, dia 24, no Estádio Universitário, em Caracas. Um grupo de estudantes começa a gritar “1, 2, 3, Chávez tas ponchao”, gíria que quer dizer “fora do jogo”. A palavra de ordem toma o estádio e é repetida num coro de milhares de vozes. Esse grito é intercalado com outro: “Sucio/ sucio/ sucio”: “Sujo/ sujo/sujo”. Manifestação semelhante já havia acontecido em Valencia, e a polícia desceu o sarrafo. No domingo, apesar da presença de policiais da tropa de choque (vê-se um deles no vídeo), nada pôde ser feito. Era impossível descer o porrete no estádio inteiro". Viva a liberdade de expressão!!!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Caminhantes

Algumas vezes, o fundamental nas buscas é o gesto. Nem sempre encontramos o que desejamos, ainda que dando voltas na vida, como se ela fosse um hotel cheio de quartos vazios. O importante, porém, é o movimento de estar sempre procurando, querendo, com a certeza de que se as coisas não aconteceram, virão um dia.

Muitas vezes não temos as respostas. Mas o saber esperar, a paciência, a maturidade, faz com que o gesto de procurar seja válido por si mesmo, ainda que frustrado.

Quantas vezes desistimos diante dos primeiros insucessos. Mas não são eles que nos fortalecem para a vida e inspiram os sucessos seguintes? Como poder acertar o amanhã sem que, em alguma medida, o hoje nos oponha obstáculos?

Cedo aprendi que a vida é processo dinâmico de construção e que as frustrações existem para serem suplantadas. E se não conseguimos aquilo que desejamos, paciência!, a vida poderá ofertar outras possibilidades, já agora com a experiência presente em nós.

O fundamental é rir da vida, rir com ela, superando sempre aquilo que nos fustiga, abrindo o caminho para o horizonte que se nos apresenta: o dar certo ou errado, o ser hoje, amanhã ou nunca mais, são circunstâncias que apenas atestam uma coisa: estamos vivos e seguimos como bons caminhantes.