quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A aventura de viver


Viver é sempre uma impressionante aventura. Cada dia aprendo mais isso. Cada dia acho que vale mais a pena as lutas diárias, as defesas das convicções, as buscas constantes… Cada dia acredito mais que, aconteça o que acontecer, é preciso sonhar, ter caminhos a seguir, ter a força para pegar a vida com as unhas, sem medo do amanhã que, poxa!, ninguém sabe como será. Podemos construi-lo, é certo, mas sempre a partir do HOJE. O HOJE é o passo dado, é a decisão tomada, é o querer feito ação…


Quem se prende demais ao amanhã, logo se vê!, não dá conta que o amanhã será sempre o amanhã, que não há pontes outras para ele, senão o indefectível HOJE gritando, pulsando, mostrando que a vida é dom de Deus. Quem olha demais para o horizonte esquece o caminho que leva a ele…



Às vezes o caminho é pedregoso, às vezes tem espinhos e armadilhas, às vezes esfola os pés e dá medo… Mas está ali, nos desafiando, porque depois dele há já o que nos espera e buscamos… Não se constrói nada sem luta, sem riscos, sem medos… E é por isso que o resultado de tudo isso se chama “conquista”!

Medo e coragem


Quem não tem medo não sabe o que é ter coragem. O medo é justamente a autopreservação gritando. Mas a coragem é a ponte que o ultrapassa. O medo de sofrer o já sofrido, de viver o já vivido, é a renúncia da vida mesma, porque não há vida sem chagas, sem marcas fortes vincando a alma e dizendo para ela mesma: “Vivi!”. Sim, viver é amadurecer, envelhecer, ter experiências boas e más, criando um couro curtido para novas batalhas…
Os desafios existem porque há algo para além de nós que nos chama. Algo que vale a pena. É isso que nos move como pessoas e nos faz crescer. E há sempre o medo de falhar, de não conseguir, de estar aquém da vitória! Mas se não houver o medo da derrota, como alguém pode se preparar para a vitória, afinal? É o medo de perder na dosagem certa que nos faz estar prontos para vencer…
Não podemos ter as respostas para tudo. Não podemos ter a vida como uma receita de bolo. Não podemos imaginar que tudo de antemão dará certo. Mas podemos ao menos nos compromissar em que tudo dê certo, fazendo a nossa parte e vivendo intensamente a convicção de que, sim!, é possível!

Cheiro e essência


A mulher amada tem um cheiro próprio, único, que invade não apenas as narinas, mas se apodera dos sentidos todos, com a delicadeza de um vulcão em chamas. E faz maciço os sentimentos, como se ganhassem uma vida própria, autônoma.


A pele, os poros, cada pedaço do corpo da mulher amada exala o seu perfume, que não existe em perfumaria outra alguma, que alquimista algum teria capacidade de isolar. É cheiro da natureza, cru, que se adelgaça com o suor da dança apaixonada, com os movimentos imperativos que se impõem e ganham vida própria.



O cheiro da mulher amada é único! Não se sente apenas; se bebe, se consome, se mastiga! Ele tem uma densidade própria, que desafia todos os sentidos, mostrando que somos tão complexos que só há unidade ali, onde os sentidos se perdem e se deixam perder…



Ah, esse, aliás, um dos mais poderosos sinetes do amor: o cheiro da mulher amada! O querer tanto sentir que dói, porque alimenta a alma, faz explosivo o coração e mostra, afinal, que quando amamos queremos levar em nós a essência do outro… Afinal, a essência é o cheiro!

Amar, amar somente, é um beco sem saída


Amar, amar somente, é um beco sem saída, já dizia Pe. João Mohana. Amar pede mais; pede entrega, abertura, cumplicidade, cuidado com quem se ama, respeito. Pede que o outro seja parte da vida, seja íntimo por necessidade. Amar não cria fronteiras, abarca; não cria muros, aproxima; não cria barreiras, acaricia. Amar pede o outro para si, de um modo tal que o outro continue outro, mas se faça o mais próximo, o mais querido, o mais necessário.

Enquanto não sentir isso por alguém, não saberá o que é o amor de verdade. Há de existir um momento, quando os olhares se tocam pela vez primeira, em que haja um tanto de perda de foco, de eclipse da razão. O amor que rnunca soube o que é rasgar o peito, vassalar a alma, fazer sonhar, não pode ser digno desse nome. O amor que nunca fez tremer corpo e alma, que nunca tomou minutos ou horas de pensamentos vastos e suspiros fundos, que não tomou de si o apetite e as razões mais miúdas para agir, haverá de ser tudo, menos amor.

O amor acalma com o tempo, mas não perde aquela fagulha inicial, não deixa que os olhos se acostumem com a nudez da mulher amada. Há ali sempre um desejo que floresce, um olhar que se renova, um querer que exaspera. Acalmar, porém, não é adormecer nem estiolar-se; é simplesmente passar dos raios e trovões à primavera.

O amor, enfim, tem tempero variado em uma mesa farta. Vai da iguaria mais apimentada à sobremas mais suave…

Sim, aqui e ali pode haver algo fora do tom, porque o amor não quer a perfeição; o fundamental para ele é a possibilidade constante do diálogo que se quer constante, das pontes que não se fecham, da necessidade do eterno recomeço. O amor perfeito é o que se enamora da imperfeição: as rugas virão, a pele perderá aos poucos o viço, mas ele, o amor, vai se renovando como criança que apenas quer brincar, seja com que brinquedo for… Para a criança não importa a perfeição do brinquedo, mas a qualidade da diversão. Assim é para o amor!

Amar, amar somente, é um beco sem saída, simplesmente porque amar pede atos, gestos, sinais. Amar, enfim, nos tira de nós para olharmos a vida sem esquecer do ponto de vista de quem se ama. É a porfia lúdica e impensável entre o EU e o TU, que não se dissolve no NÓS, mas num EU-TU rico e profundo. Somos, no amor, dois que se buscam sem se dissolver na unidade, na identidade, na perda da referência de si mesmo. Na polaridade e tensão de duas vidas que se querem, que cedem aqui e ali para que se permitam ser e estar, consiste o amor.

sábado, 19 de novembro de 2011

Vida

A vida tem esquinas, tem caminhos largos, tem atalhos...

Há vida! Na palavra que malfere o coração,

no olhar que perdeu o brilho e se fechou,

no sorriso que empalideceu e murchou.

As esquinas iniciam possibilidades;

os caminhos largos, a segurança do já pronto;

os atalhos, os riscos das facilidades triviais.

Quem se perde de si perde o olhar, o sorriso e o coração.

Há vida! Há sempre a chance de recomeçar...

Sobre orgulho, amor e vertigem: uma leitura de Dostoiévski

Há dois textos meus sobre o sequestro e morte de Eloá, em Santo André, por um jovem atormentado pelo amor (por ela) e a rejeição (dela para ele). Lindemberg chocou o país com o sequestro da sua ex-namorada e, depois, com o tiro que lhe roubou a vida. O amor do outro que esmigalhou o amor por si mesmo, ao ponto limite de expor publicamente as suas víceras, naquilo que Milan Kundera (em "A Insustentável Leveza do Ser") tão bem definira como sendo "vertigem". O texto integral pode ser lido nesse link (http://migre.me/6c5kv).

Há uma passagem que reproduzo aqui:

O amor de si não exclue o amor pelo outro; o pressupõe. A admiração pelo talento alheio necessita, para ser sadio, da convicção sobre os próprios talentos, porque senão o reconhecimento vira ressentimento e inveja. Com essa afirmação, podemos entender a loucura de Lindemberg, o seqüestrador de Santo André: ele aprisionou Eloá e depois a matou porque não se amava o suficiente, ao ponto da admiração e da necessidade do amor dela por ele esmagá-lo. O sentimento de rejeição decorre de ressentimento: será que ela encontrou alguém melhor do que eu? Será que eu sou insuficiente para ela? Ora, como lhe falta orgulho por carecer de amor próprio, restou-lhe a vertigem, no sentido empregado por Kundera. De fato, em "A insustentável leveza do ser", Milan Kundera descreve de um modo único o sentimento de vertigem. Diz ele, em seu primoroso romance:

"O que é vertigem? Medo de cair? Mas porque temos vertigem num mirante cercado por uma balaustra sólida? Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrae e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados."

Noutra passagem, ainda mais rica, fala-nos de modo mais genuíno e profundo:

"Era a vertigem. Um atordoamento, um insuportável desejo de cair. Eu poderia dizer que a vertigem é a embriaguez causada pela nossa própria fraqueza. Temos consciência dessa fraqueza mas não queremos resistir a ela e nos abandonar. Embriagamo-nos com ela, queremos ser mais fracos ainda, queremos desabar em plena rua, à vista de todos, queremos estar no chão, ainda mais baixo que o chão."

O amor frustrado, ferido, muitas vezes nos leva a essa necessidade do abismo; é o orgulho extremado fazendo-se escravo de feridas fundas.

Talvez Friedrich Nietszche tenha traduzido muito bem aquele conceito de VERTIGEM de Kundera em uma das suas frases lapidares: "Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você” (in Para Além do Bem e do Mal).

Faço essas reflexões sob o impacto da leitura que RENÉ GIRARD fez das obras, da vida e do pensamento de Fiódor Dostoiévski. Trata-se do livro DOSTOIÉVSKI: DO DUPLO À UNIDADE, da editora É Realizações. Indico essa obra. E faço aqui as suas anotações sobre o orgulho, que bem poderia ser aplicado a Lindemberg como aos que sofreram a frustação no amor e reagiram de um modo "vertiginoso". Cada dia me encanto mais com Dostoiévski.

Quem se fere no amor e tem uma autoestima mal-resolvida, como Lindemberg, termina escravo do seu orgulho ferido e, pior, passa a viver um processo masoquista. O orgulho excessivo do amante frustrado leva ao masoquismo, afinal: "O masoquista não pode encontrar sua própria estima senão por uma vitória escandalosa sobre o ser que o ofendeu; mas esse ser adquire, a seus olhos, dimensões tão fabulosas que lhe parece igualmente o único capaz de obter essa vitória. Há, no masoquismo, uma espécie de miopia existencial que limita a visão do ofendido à pessoa do ofensor. É este quem define não apenas o objetivo do ofendido mas também os instrumentos de sua ação... O ofendido é condenado a errar indefinidamente em torno do ofensor, a reproduzir as condições da ofensa e a fazer-se novamente ofender"(p.41).

E por que o orgulhoso que teve a frustração no amor se deixa cair assim nessa situação masoquista humilhante, vivendo publicamente a sua vertigem? Renè Girard responde com a análise da obra "O Eterno Marido" de Dostoiévski: "Por que ele se precipita assim na humilhação? Porque é imensamente vaidoso e orgulhoso. A resposta é paradoxal apenas na aparência. Quando Trussótzki descobreque sua mulher prefere outro, o choque que sofre é terrível, pois ele se impusera a tarefa de ser o centro e o umbigo do universo... é incapaz de considerar um meio-termo entre dois extremos; o menor fracasso condena-o portanto à servidão... Depois de se ter concebido como um ser de que irradiavam naturalmente a força e o sucesso, ele se vê como um dejeto e daí seguem-se inevitavelmente a impotência e o ridículo". (p.42-43 da obra de Girard).

A vertigem, desenhada por Kundera, revela-se em Dostoiévski de um modo ainda mais vincada: é o orgulho ferido que passa a ser masoquista e humilhado, em um ciclo vicioso e doentio. Tão cioso de si, não soube suportar a desilusão, perdendo-se de si mesmo por perder a autoconfiança e a própria autoestima.

É engraçado - para não dizer trágico! - que pessoas que passam por esse processo, como Lindemberg (aqui, nesse caso, no limite extremo da perda de sentido e na necessidade de destruir o objeto do seu amor), mostram-se orgulhosos, imaginam estar atacando o seu ofensor quando, na verdade, apenas se subjugam mais, mostram-se escravizados pelo orgulho ferido e pela dor. Humilham-se achando estar humilhando; cedem a sua liberdade, proclamando estar livre. Ou seja, passam a viver a patologia de um sentimento frustrado e masoquista.

Todo esse misto de orgulho e humilhação é exposto em uma passagem clássica do livro de Dostoiévski "O Duplo", que sequer está entre as suas obras geniais. O personagem Goliádkin leva esse orgulho ferido ao extremo, àquela vertigem kunderiana, ao abismo nietszcheano, ao dizer: "Quanto a mim, o que tenho feito em minha vida é levar até o fim aquilo que vocês não ousam levar nem até à metade, sempre denominando sua covardia de sabedoria, consolando-se assim com mentiras. Se bem que eu talvez esteja bem mais vivo que vocês".

Para Renè Girard (p.55), essa coisa que Goliádkin LEVA ATÉ O FIM é o orgulho. É essa catarse pública que é a vertigem, levada ao extremo. E o orgulho ferido, digo eu, termina suscitando sempre a autopiedade, essa execração pública de si mesmo, expondo as dores para além do limite do pudor suscitado pelo amor próprio.

Dostoiévski - essa a sua genialidade - nos leva para esses labirintos da psique humana, essas perdas de referências claras causadas pelas frustrações, pelo orgulho inflado e imaturo que não se aceita ferido. E nada há de mais doloroso do que autopiedade do orgulho frustrado, que há de se expor no vazio de si mesmo,na sua falta de capacidade de lidar com o insucesso, com as perdas, com as feridas da vida.

O amor pressupõe o amor próprio íntegro, maduro, equilibrado. A desordem do amor próprio leva ao masoquismo e à humilhação (pior, a humilhação que sequer se reconhece e sabe se vê como tal!). O amor autêntico e maduro é orgulhoso apenas na medida em que preserva o EU para, inteiro, aventurar-se na aventura do OUTRO. O orgulho, afinal, que conta é o orgulho suave que faz sadia a relação EU-TU, sem se perca nunca os termos da relação e a importância dessa polaridade.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

SONHO E REALIDADE: UMA REFLEXÃO AOS 42 ANOS

Nada mais triste do que um sonho que não se permitiu sonhar inteiro. Um sonho nascido e renunciado porque sonhá-lo seria desinstalar as marcações da realidade. E a realidade é o que importa, dizem os historiadores, os jornalistas e profissionais das melhores estirpes. Trabalhar com a realidade dá menos trabalho, porque o real é o barro que se pega com as mãos e se pode dar formas variadas, sempre calculadas, medidas e pesadas.

O mal do sonho é que ele não se deixa domesticar, não pode ser preso em uma fórmulas nem tabulado previamente. O sonho é a erupção do imponderável. E a vida que somos não tolera o imponderável: queremos, por segurança, as coisas que se medem, se contam e se qualificam em rótulos precisos.

Sim, as palavras são rótulos que pomos sobre as coisas, dizem os nominalistas de há muito. Rótulos que não dizem a sua essência, mas bem servem para a comunicação: chamo o objeto sobre a mesa de copo; bem poderia chamá-lo de cobra, sem o risco porém de ser mordido por ele.

Os sonhos não admitem rótulos; não são bons ou maus, feios ou bonitos, certos ou incertos, seguros ou inseguros… São sonhos e nos desafiam por isso!

Lá ia o jovem sonhando em ser músico. A mãe disse-lhe: “Ser músico? Ser artista? Mas isso lá é profissão?!”. Ao rotular a vocação, matou-se um sonho esmagado desde o início. Porque profissão é aquela que tem diploma, que exige estudos e reconhecimento social, pensou a mãe. E ali, naquele momento em que a realidade rotulou o sonho, perdeu-se um Tom Jobim, matou-se um Mozart, eliminou-se um Chico Buarque de Hollanda.

Lá ia o jovem dizendo, aos 28 anos: “Não me realizo sendo juiz de Direito. Quero ser advogado!”. “Louco, você é uma pessoa soberba!”, me disseram uns; “Como pode abdicar da estabilidade?!”, vergastaram outros. Por que será que o sonho incomoda a tantos, me perguntava na angústia de renunciar à magistratura para voltar à advocacia. Ah, os rótulos são cruéis e tentam matar os sonhos!

Sonhar não é fácil. Porque sonhar é revolucionário! Sonhar, afinal, é um passo para além da realidade, é muitas vezes negá-la ou, como dizem os alemães (Hegel, à frente): “aufhaben”. Sim, uma relação dialética de superar conservando algo superado. É dizer, no momento da síntese, o estado antitético é ao mesmo tempo preservado e transcendido, negado e realizado. Sonhar é realizar esse “aufhaben” na realidade mesma, indo além dela sem dela perder-se jamais.

Há quem aprisione os sonhos em rótulos. E as palavras às vezes, com a sua carga emotiva, simplesmente destróem os sonhos. E passamos a ser gerenciados pelo que os outros pensam, dizem, pesam e etiquetam. Ou seja, a realidade passa a ser simplesmente o que de antemão nos deram como o possível, o permitido, o normal. Nada há de mais destrutivo para os sonhos do que a "normalização"da vida. Ora, o bom profissional é o normal; mas o bom profissional nunca alcançará a excelência! Ser bom não é ser ótimo; ser ótimo é ir além da normalidade, do já posto, do já especificado como sendo o "único modo adequado de fazer e agir".

Penso em Einstein. Tivesse ele sido "normalizado" em sua ciência, não poderia ir além de Newton. Haveria de ficar nos limites da física clássica e aí não teríamos a Teoria da Relatividade. Todo sonho que seja digno desse nome tem algo de revolucionário, transgressor, porque sai do círculo de giz que desenharam como sendo o limite do possível.

Sonhar, meus caros, é se apoderar da realidade e superá-la. Sonhar não é negar que há limites, mas saber que eles poderão estar mais além do óbvio, do já posto, do já dito!

Quero sonhar os meus sonhos até o seu limite extremo. Porque viver é risco; sonhar é arriscado demais! Quem sonha não se acomoda à realidade, não se aninha em suas franjas, não se permite emascular de antemão. Quem sonha respira a vida pulsando, mergulha nas suas entranhas, transforma os medos sinais de alerta, apenas para estimular a descoberta da justa medida.

E a justa medida não está predisposta em uma bula de remédio, em uma receita de bolo, em um mapa da vida adrede preparado. A justa medida, afinal, é simplesmente a nossa certeza da finitude, da construção passo a passo, do que é existenciário naquilo que Heidegger soube especificar em uma expressão riquíssima: o ser-aí (Dasein). A nossa finitude, o nosso ser-para-a-morte, a nossa existência com limites passa a ser, então, a nossa grande fronteira e a nossa grande motivação: viver é desde já sonhar e ir além, sem perder de vista as nossas circunstâncias e as nossas limitações. É ir para além de nós em busca da nossa felicidade.

Completo amanhã 42 anos! Olho para a minha vida e me orgulho justamente dos momentos em que me permiti sonhar. Orgulho-me dos momentos em que não me deixei dominar pela realidade, em que percebi que ficar preso a ela me tornaria solvente apenas com a mediocridade! Sim, a realidade é a desculpa dos que se aprisionam ao medo! A realidade é conservadora: ela funciona como uma lei da gravidade irrevogável, nos dizendo sempre: "não dê salto nenhum porque você deverá cair de volta!".

Nesses 42 anos, o que há de melhor em mim brotou dos meus sonhos, muitas vezes inesperados, muitas vezes difíceis, mais da vez provocativos. Sim, porque sonhar não é viver um prazer antecipado; sonhar é construir com as mãos a realidade que se quer viver!

‎"Eu não posso!"; "eu não consigo!"; 'é difícil demais para mim!". Muitas vezes nos deparamos com situações na vida em que a vontade que temos é dizer para nós mesmos: "Não dá!". Entre a realidade e o sonho, abrimos mão de sonhar simplesmente porque abdicamos de tentar. Tentar é já e sempre comprometer-se sinceramente com o sonho, ainda que ele seja tão difícil que não possa ser alcançado.

O alpinista que sonha em escalar o Everest só será feliz se ao menos iniciar a subida até o limite das suas forças. Ele até poderá não chegar ao topo, mas dirá para si mesmo"Eu tentei!; eu lutei!". A maior frustração não é não ter alcançado ou conseguido; a frustração que mutila é a de nem ter tentado, nem ter experimentado o insucesso.

O insucesso faz parte da vida. A dor, o sofrimento, a angústia, enfim, são circunstâncias presentes em nós. Ninguém pode sempre vencer, ter sucesso, estar acima das dores do mundo. A diferença essencial da verdadeira paz, da verdadeira felicidade, está na livre disposição do espírito para TENTAR, para LUTAR. Vencer ou perder é da vida. Muitos sonhos se realizaram plenamente a partir da derrota, da experiência acumulada. O genial Pelé da Copa de 70 só foi possível porque houve o esmagado Pelé da Copa de 66.

Esse é o ponto fundamental: devemos abrir mão da vida e dos sonhos por medo de tentar, de lutar? Do alto dos meus 42 anos, respondo: não! A vida é um dom de Deus caro demais, bonito demais, para que simplesmente nos acovardemos e tenhamos um medo corrosivo que nos freia e domina.

Como disse João Paulo II, citando Cristo: "Non abbiate paura!"

domingo, 21 de agosto de 2011

Romero Vieira Belo: 'Denúncia contra Adriano Soares'

Agradeço ao jornalista, que não conheço pessoalmente, pelo texto publicado abaixo (original pode ser lido aqui), em itálico:

Plenário do Supremo Tribunal Federal. Em julgamento, a validade imediata da Lei da Ficha Limpa. Os ministros analisaram, dissecaram, contestaram e defenderam a lei aprovada para banir do cenário público os políticos em débito com a Justiça. Durante o debate que se seguiu, confrontando luminares do Direito, ninguém, nenhum jurista foi tão citado quanto o alagoano Adriano Soares, advogado de renome, jurista consagrado, autor de livros invocados pelas maiores autoridades do Direito nacional.

Antes de se dedicar à advocacia, Adriano Soares foi juiz. Magistrado com méritos, concursado. Para alguns raros, entretanto, ser juiz é pouco. Atuação adstrita, terreno limitado. Então, para esses, impõe-se recorrer ao exercício da advocacia onde o universo, como diria Einstein, é finito, mas ilimitado. Com uma bagagem invejável, poderia estar atuando em São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília, a exemplo do também alagoano Nabor Bulhões. Preferiu, porém, permanecer aqui, ensinando, doutrinando, formando.

E eis que, nos últimos meses, Adriano Soares aparece como figura central de uma ação intentada por uma promotora de Rio Largo. O motivo: um contrato de seu escritório com a prefeitura do vizinho município. A promotora viu ‘irregularidade’ na ausência de licitação, algo que, como afirma o próprio Adriano, carece ainda de definição legal. A lei 8.666 é concessiva quando se trata de contratação de serviço caracterizado por notória especialização. Não seria o caso de uma banca de advogados especializados?

No cenário ainda turvo, chama a atenção uma circunstância: o Ministério Público ‘flagrou’ irregularidade no contrato de Adriano Soares, mas nada viu em outros contratos do gênero envolvendo figuras respeitáveis da advocacia estadual, a exemplo do mestre Marcelo Teixeira. Qual o cerne da questão? Os valores contratados? Ora, nesse e em todos os casos, vai prevalecer, sempre, a qualidade do serviço prestado. Pois – imperioso ressaltar – numa única ação, o escritório de Adriano Soares resgatou R$ 4 milhões devidos à prefeitura de Rio Largo. Não seria o caso de aplaudi-lo, todos que respeitam e defendem o Erário, incluindo o Ministério Público? Dinheiro público, dinheiro do povo, produto de impostos exorbitantes, salvo por um escritório de advocacia.

Como existem médicos e médicos, engenheiros e engenheiros – também existem advogados e advogados. Quanto vale uma ação bem impetrada, vitoriosa? Depende do que está em jogo. Então, quanto vale o trabalho de um escritório que resgata R$ 4 milhões a favor de uma prefeitura num único processo? Informou-se que a banca de Adriano foi contratada por R$ 15 mil mensais. Muito dinheiro? Uma fortuna? Muito dinheiro para um escritório assistido por mais de 30 profissionais, todos qualificados?

Também chamou a atenção a revelação de que a promotora teria sofrido ameaças por telefone. Ficou clara, cristalina, a intenção de associar a denúncia à pessoa de Adriano Soares. Feita nesse momento, dentro de um contexto envolvendo o advogado, o intento não poderia ser outro. E com sutileza, já que, para se preservar de uma interpelação – e talvez orientada nesse sentido – a autora não fez uma acusação direta. Simplesmente, deixou no ar...

Mas – estupefação geral – Adriano Soares, o mestre do Direito, fazendo juras, engendrando ameaças sob a proteção do anonimato telefônico? Um advogado de sua estatura, brincando de aterrorizar? Pegou mal. Não tanto por visar expor um homem avesso à violência, de passado exemplar, mas, sobretudo, pela forma oblíqua de uma denúncia sem alvo. Duas questões: 1 - teriam, mesmo, ocorrido as ameaças? 2 – Em caso afirmativo, não teria sido um (outro) inimigo da promotora? Como saber-se, se nem mesmo ela soube, já que, por óbvios motivos, não dirigiu sua imputação a Adriano?

O Ministério Público, convém anotar, não errou nem se excedeu ao reunir-se em apoio a sua representante, nada obstante o tenha feito por puro corporativismo, desde que não tinha, quando da demonstração, o desfecho do caso que lhe motivara a iniciativa. A OAB, aliás, poderia fazer o mesmo, reunindo algumas centenas de advogados solidários com Adriano Soares e seus assistentes. Desnecessário, no entanto. Mais prudente – e normal – aguardar o pronunciamento final da Justiça. São ações contra o advogado e contra a promotora. O estampido ecoado na mídia é só fogo de artifício realçado pelo reflexo luzente do mestre. Ruidoso, apenas, pela estatura de um advogado celebrado no país inteiro.

Nesse episódio em especial, Adriano Soares não necessita de defensores. Mas urge reconhecer: um advogado de seu gabarito não precisa recorrer a falcatruas para ganhar dinheiro. Nem, menos ainda, de intimidar pessoas ao telefone. É, sim, um lutador aguerrido, decidido, mas o palco de suas lutas têm sido os tribunais, e não aparelhos celulares de origem e números desconhecidos.

Célio Gomes, a Gazeta e os ataques sistemáticos como método

Não é de hoje que a Gazeta de Alagoas me ataca. Na seção Fatos e Notícias, não raro são publicadas notas desrespeitosas, sempre com agressões pessoais injustificáveis. Coluna apócrifa, embora sob a resposanbilidade do seu editor-geral, Célio Gomes, "Fatos e Notícias" passou a ser instrumento de constantes ataques, os mais despropositados, revelando o ânimo do editor desde que, quando secretário da Gestão Pública, passei a simplesmente responder matérias inverídicas publicadas. Aliás, o que mais o irritou foi quando respondi objetivamente a uma matéria tendenciosa de um dos seus pupilos (vide aqui). Desde então, Célio Gomes vem utilizando os espaços que dispõe para tentar me atingir e desconstruir.

A matéria do jornal Gazeta de Alagoas de hoje, replicada no blog do seu editor-chefe (aqui), é uma continuidade nesse método nocivo de fazer jornalismo, cuja pistolagem da honra alheia é a finalidade principal. Quem não se submete é alvejado, muitas vezes de maneira torpe.

O blog, em sua chamada, tenta me ligar a SUPOSTAS ameaças sofridas por uma promotora pública em Rio Largo. Ameaças que teriam sido feitas há um ano, no São João do ano passado, segundo narra o jornal Gazeta de Alagoas, embora tais supostas ameaças sequer tenham sido atribuídas a mim por aquela que se diz ameaçada. Quem as atribui é o jornal Gazeta de Alagoas e, agora, subliminarmente, o blogueiro Célio Gomes, editor daquele periódico, em uma chamada que liga o meu nome à improbidade administrativa e a ameaças.

Claro, ambos (Gazeta e blogueiro) responderão na Justiça por isso, como deve ser em casos dessa natureza. É que o Poder Judiciário é o caminho para restabelecer a verdade quando ela é deturpada ou destruída, mesmo por órgãos de comunicação social. E, aqui, não se trata de uma ameaça, como gostam de rotular os que tentam se passar falsamente por vítimas em casos que tais, mas uma garantia constitucionalmente estabelecida a todos os cidadãos que tenham a sua imagem injustamente depredada por quem deveria ter a responsabilidade de noticiar e não caluniar.

Não comecei a minha história de vida agora. Desde os 23 anos estou na vida pública. Não será a sanha de um jornal que poderá reescrever a minha história de vida, associando-me com qualquer forma de violência. Uma mentira criada pelo jornal, que responderá pelas suas insinuações caluniosas e falsas.

Discordei, sim, da atuação da promotora de Rio Largo. Não porque tivesse ela proposto a ação civil pública contra 5 escritórios de advocacia que prestavam serviços ao Município de Rio Largo na gestão da prefeita Vânia Paiva, mas, sim, porque deixou de atuar do mesmo modo contra OS MESMOS CONTRATOS assinados pelo Prefeito Toninho Lins, com um agravante: (a) os contratos da gestão passada estavam extintos, enquanto os da gestão atual estavam em vigor; e (b) fora o Prefeito Toninho Lins, quando vereador em 2007, que fizera acusação contra esses contratos à promotora da comarca, mas não teve ele dúvidas em celebrar iguaizinhos quando foi eleito prefeito de Rio Largo. Qual a minha crítica? Não pode haver (suposto) combate à corrupção pela metade. Não pode haver acepção de pessoas. O princípio da impessoalidade exige tratamento isômico, o princípio da eficiência exige tratamento expedito e o princípio da obrigatoriedade impede que o uso discricionário dos remédios jurídicos seja um escudo para o agente público.

Se legitimamente questiono a atuação de um agente público, devo, não por "retaliação", mas por garantia constitucional exercer o meu direito de representação, para que o Ministério Público, através das instâncias próprias, possa analisar e decidir livremente sobre a matéria interna. Se a decisão for diversa do que se espera, para isso existe o Poder Judiciário. Ou seja, é dentro da institucionalidade que se resolvem pendências desse tipo, não através de supostas ameaças covardes e inúteis. Ameaça anônima é expediente de gente covarde, que não tem coragem de agir de cara limpa. Esse, por certo, nunca foi o meu perfil!

Respeito demasiadamente o Ministério Público. Tanto isso é verdade, que antes de agir perante o Poder Judiciário, fiz a representação aos próprios órgãos internos da instituição. Não fiz por terceiros: fizemos nós, às claras, que fazemos o escritório Motta e Soares, que tem atuação nacional e é respeitado aqui e fora do Estado.

Não há um confronto meu com o Ministério Público, como sordidamente tenta inferir o Jornal Gazeta de Alagoas, sem que nem o Procurador Geral de Justiça nem o Corregedor Geral nem a presidente da AMPAL (Associação do Ministério Público) tenham afirmado isso. NINGUÉM, NENHUMA AUTORIDADE, afirmou que a ida de membros do Ministério Público a Rio Largo tenha sido um desagravo contra atos meus. É ilação da Gazeta de Alagoas, no seu método de fazer pistolagem contra a honra alheia.

Como cidadão e como advogado não tenho o direito de temer o enfrentamento legítimo contra quem quer que seja, dentro das normas jurídicas e da normalidade institucional. Para isso existe a Constituição Federal. Não há ninguém acima da lei, nem o secretário de Estado, nem o juiz de Direito, nem o membro do Ministério Público, nem os advogados, nem os jornalistas... E, nesse sentido, não me quedo a uma reportagem criminosa, que tenta enganar o leitor criando um embate que não existe entre mim e o Ministério Público. Tampouco me quedo a essa tentativa mesquinha de desconstrução, em que a Gazeta de Alagoas tenta me fazer uma pessoa ligada ao que sou absolutamente contrário: à violência.

Célio Gomes terá a oportunidade de me olhar nos olhos em juízo. Lá, no Poder Judiciário, nos conheceremos pessoalmente e poderemos aquilatar o tamanho moral de cada um. Mas que fique claro aos leitores da Gazeta: os ataques continuarão como método. Mas ela tem patrimônio para me pagar cada ataque e cada agressão feita.

Pronto, Célio Gomes!, agora você passa a saber como eu ajo: é como homem de caráter, dizendo as coisas às claras, sem me esconder em colunas apócrifas ou em telefonemas anônimos ameaçadores. E quando me sinto atigindo, vou ao lugar adequado para restituir os meus direitos: ao Poder Juciário, onde nos encontraremos a breve trecho, diante da Constituição Federal e da Justiça. A única arma que levo é a que anda comigo desde criança: a minha consciência!

Crônica da semana: A camisa vermelha e os livros

Estava angustiado. Sentei-me no batente do prédio João de Deus, onde funcionava o curso de Direito. Era formado por duas estruturas cumpridas de salas de aula, uma frente a outra, separadas por um espaço de barro, sem jardim. Calça jeans desbotada, camisa vermelha puída, com um pequeno furo no ombro, feito por uma traça atrevida. Lembro bem daquela camisa, que usava em casa e vesti para ir à faculdade sem atenção. Era o jeito desleixado como frequentávamos as aulas, comum em quase todos nós estudantes naquele tempo.

Estava com alguns livros à mão. Livros que não estava lendo, porque estava fazendo o curso sem apetite, sem gostar muito das disciplinas. Aliás, assistir as aulas era um exercício sofrido, porque as únicas disciplinas que me interessavam eram estranhas ao Direito, como as ótimas aulas de Sociologia Geral, que me instigavam muito. Fora disso, sentia-me estimulado apenas pelas aulas de Teoria Geral do Direito, ensinadas pelo Prof. Marcos Bernardes de Mello, mas que eu havia perdido boa parte das iniciais, em razão de faltas minhas. Passou a ser difícil acompanhá-lo depois disso, porque não lia em casa e não entendia patavinas do que ele estava ensinando. Não estava sendo um bom aluno e passei nas matérias com alguma dificuldade.

Naquela manhã, bateu-me uma angústia profunda. Não sei por que me vinham aquelas questões sofridas: o que farei quando sair daqui formado?, será que sairei com alguma condição de advogar?, como será a minha vida profissional? Eram perguntas dolorosas, que me açoitavam a alma e sufocavam o peito. Sentia o peso da responsabilidade nos ombros, a incerteza do futuro e me afundava nas minhas dúvidas sobre a própria vocação.

Sim, eu nem sabia para que prestaria o vestibular quando fazia o científico (ensino médio) no Marista. No terceiro ano, angustiava-me a alma quando via os colegas falando que fariam medicina, engenharia, informática, ou sei-lá-o-quê e eu não tinha a mínima ideia do que faria. Quando me perguntavam, à falta de uma resposta, dizia que faria economia ou jornalismo. Foi vivendo essa dúvida que, sentado na calçada da minha casa, olhando as estrelas, cheio de ansiedade, a Dona Idelva Pinto, nossa vizinha, perguntou-me sobre o vestibular e me sugeriu prestar para Direito. Direito? "Sim, você gosta de ler, gosta de falar muito, é um curso que possibilita muitas carreiras...". E, naquela noite, ouvindo uma procuradora do Estado, decidi fazer aquele curso, que nem sabia ao certo para o que servia.

Agora, estava ali, no alpendre do João de Deus, na Ufal, com renovadas angústias, perdido, com medo do futuro, incerto da minha vocação, perdido na minha apatia. Olhava para o barro molhado em que acomodava os pés, o céu cinza da chuva da madrugada, os alunos passando, rindo, conversando... E eu ali, sofrendo os meus medos e todas as minhas dúvidas.

E, de repente, deu-me um "insight". Uma lanterna alumiou a minha alma. Uma vontade de vencer, de sair daquela letargia que consumia os meus sonhos todos, uma necessidade existencial de sair correndo dali, recuperando o tempo perdido, os livros não lidos, as aulas cabuladas. Uma sede de viver que não compreendia, mas que me tomava ali, naquele momento, com aquela camisa vermelha surrada pelo uso, esgarçada na gola circular... Nunca a esqueci e me arrependo de não tê-la guardado como memorial desse dia, desse momento único.

Levantei-me, meu coração batia forte, havia uma fome imensa em mim; queria sair dali, queria estudar, queria ler tudo o que havia desprezado. E foi assim que comecei a me dedicar à leitura da "Teoria do Fato Jurídico", de Marcos Bernardes de Mello, introdutório à obra que me marcou toda formação profissional e o meus estudos: o "Tratado de Direito Privado" de Pontes de Miranda. Foi a obra de Pontes de Miranda que me deu a vocação para o Direito e me salvou da angústia de não ter referências. Foi o desafio de compreender o pensamento pontesiano, de estudar sozinho a sua obra monumental "Tratado das Ações", que me fez ter sempre uma motivação diária de estudar, de me dedicar, de me realizar intelectualmente.

Aquele dia, na solidão da minha angústia, brotou uma fome intelectual que me persegue todos os dias, que me motiva, que encanta. Sem os livros, sem as leituras, sinto-me sem bússola. A leitura passou a ser um prazer, uma busca, uma ponte para os horizontes distantes. Sim, os livros salvaram a minha vida da perda de objetivos, do medo do futuro, da passividade mórbida. Eles, os livros, me ensinam o valor da reflexão, do esforço constante, da dedicação, da profundidade. Nada vem de graça, não existe quem já nasça sabendo tudo: somos, afinal, produtos do nosso esforço, das horas gastas com o que nos aprimora.

Hoje, acordei com uma chuva suave. Olhando para o céu cinza, lembrei-me daquela camisa vermelha. Escrevo aqui, cercado de livros, sentindo-me bem entre eles, que sempre foram companheiros de caminhada.