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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Ainda a pedofilia dos padres de Arapiraca

No blog do Célio Gomes foi publicada a carta de Dom Valério Breda, bispo diocesano de Penedo, sobre o escândalo dos padres de Arapiraca envolvidos em pedofilia. A carta afirma o seu desconhecimento sobre as denúncias de pedofilia antes da veiculação da matéria pelo SBT. Informa as medidas tomadas pela Diocese de Penedo para processar canonicamente os padres acusados, dando-lhes o direito de defesa, porém sem qualquer condescendência para com eles.

No blog, os comentários de alguns leitores foram simplesmente horríveis e cínicos (aqui). Como católico, ingressei com um comentário, que reproduzo abaixo.

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Adriano Soares da Costa:

Os inimigos da Igreja buscam atacá-la, minar a sua credibilidade construída em 2000 de história. Há erro de maus padres que negam a sua vocação e a sua fé, praticando pedofilia? Que sejam punidos, respeitado o direito de defesa. Punidos civil, penal e canonicamente. O pedófilo, seja ele casado ou solteiro, seja ele homossexual ou heterossexual, pratica um crime, mais grave ainda quando usa da sua posição de hierarquia para submeter os inocentes aos seus instintos (como pais, religiosos etc.). Dizer que a pedofilia é uma praga dentro da Igreja é uma rematada mentira: há padres, como há pastores, militares, promotor de Justiça (casado e com filhos), que são pedófilos e merecem ser punidos. Nada tem a ver a pedofilia com o celibato ou com o homossexualismo: a perversão da pedofilia não é um mal restrito a alguma instituição ou opção sexual.

Os que criticam a Igreja ou a todos os padres indistintamente não passam de pistoleiros da honra alheia, buscando satisfazer interesses outros. Não têm legitimidade nem credibilidade. Ou são tolos que atacam a tudo, até o que não entendem, ou são malintecionados.

terça-feira, 23 de março de 2010

Pedofilia e celibato

Um reflexão de Dom Henrique Soares (aqui) sobre a questão do celibato e da pedofilia:

Pedofilia: ponderações

Caro Leitor, em algumas partes do mundo – também no nosso País – têm surgido escândalos provocados por padres pedófilos (há também outros vários escândalos ligados à vida sexual dos sacerdotes). Na Europa, sobretudo, a imprensa e certos ambientes da Igreja ditos progressistas vêm procurando associar esses tristes e inaceitáveis casos ao celibato. Eis algumas ponderações que gostaria de fazer:

1. Há, sim, na Igreja, sacerdotes pedófilos. É triste, é vergonhoso, mas é verdade. Eles não estão nela porque a Igreja os promove e os acolhe... Há sacerdotes pedófilos, como há pastores evangélicos pedófilos, pais de família pedófilos, professores pedófilos, juízes pedófilos, médicos, psicólogos, militares e jornalistas pedófilos... Nem mais nem menos! Aliás, como já acenei neste blog, a grande maioria dos abusos de menores dá-se no recinto do próprio lar. Quando era padre acompanhei muitos desses dramas dolorosos e de difícil resolução... Então, por que aparecem muito mais os casos de padres pedófilos? Por vários motivos. Eis alguns: (1) É muito mais difícil para um sacerdote se esconder, (2) os casos com padres são mais divulgados pelo potencial de escândalo e de atrair atenção, (3) há o contato de muitos padres com jovens coroinhas e jovens educandos nas escolas católicas, (4)em alguns países há uma indústria mafiosa para arrancar dinheiro da Igreja com casos de pedofilia verdadeiros ou forjados...

2. Associar a pedofilia ao celibato é pura má fé! Uma coisa é totalmente independente da outra. Um pedófilo pode mascarar-se por baixo do ministério sacerdotal como pode encapar-se num casamento! E são tantos! O celibato é um dom de Deus para a Igreja e, que fique bem claro: não há nenhuma propensão do Papa e do episcopado de suspender a disciplina atual, que exige o celibato dos sacerdotes! A crise de vocação não é motivada pelo celibato, como também a crise de fidelidade não tem no celibato sua causa! A crise é de fé, não de celibato!

3. É preciso deixar claro o seguinte: o atual processo de secularização, de banalização do sagrado, da redução do sacerdócio a uma profissão e do padre a um fazedor de pastoral - esquecendo a ontologia mesma do sacerdócio, isto é, a essência, o ser mais profundo do padre, que pelo sacramento da Ordem torna-se um homem de Deus, um outro Cristo, um homem inteiramente consagrado “às coisas de Deus” -, é isto, precisamente, que leva ao relaxamento e ao enfraquecimento da vida moral de tantos padres. Há uma tendência, até mesmo em certos setores da Igreja, de ver o padre de modo secularizado, tirando-lhe todo o sentido sagrado e místico. Até na nomenclatura, quantas vezes, em tantos ambientes teologicamente doutros, evita-se chamar o padre de sacerdote para denominar-lhe simplesmente presbítero... é de fé católica e é indispensável recordar: o padre deve ser um homem de Deus, um homem sagrado e consagrado, um homem cujo modo de ser e de viver deve trazer claramente as marcas do Eterno!

4. Nunca esqueçamos: somos pecadores! O padre, como qualquer outro ser humano, é membro de uma humanidade ferida, com falhas, com más tendências, com fraquezas. Os padres são assim, os casados são assim, a humanidade toda é assim! O cristianismo ensina claramente que todos somos marcados pela ferida do pecado original. Não somos certinhos, bonzinhos, cheirosinhos! Somos lavados por Cristo, salvos por Cristo, recuperados, curados pela cruz de Cristo! Não é por acaso e não é jogo de cena que ao início de toda Missa comecemos por bater no peito pedindo perdão. O pecado é uma realidade concreta, forte, próxima, presente na nossa existência. Contra o pecado é necessária a vigilância, a oração, a mortificação, uma profunda adesão ao Senhor. Nunca nos deveríamos assustar com o pecado, mas olhar para o remédio, que é Cristo, e dele fazer uso! Sempre houve padres com más tendências na área sexual-afetiva. Muitos desses conseguiram superar e integrar suas misérias com uma vida espiritual séria e devota. Com a oração, a sincera busca da direção espiritual, a confissão e os demais meios que a Igreja nos oferece para buscar a santidade, é possível ir superando as feridas e quedas e ser um santo sacerdote, um verdadeiro homem de Deus. O padre, o cristão não são uns impecáveis, mas pessoas a caminho no seguimento de Cristo, olhando para ele, nele colocando a esperança, nele procurando o perdão e nele crescendo dia por dia, até o Dia eterno. O problema é que com a secularização e o relativismo atuais, tudo parece permitido, tudo é jogado na conta da misericórdia de Deus, tudo é resolvido psicologicamente! Penso que um dos maiores problemas para uma verdadeira e leal vivência do celibato dos padres é, precisamente, a secularização, isto é, a mundanização, a perda da consciência e dos sinais de uma clara identidade que mostra que o sacerdote é um homem de Deus. Muitos na Igreja alegam que os sinais de uma identidade (no agir, no rezar, no modo de viver, no vestir, no modo de se divertir...) são uma capa para esconder insegurança e vida dupla... Não concordo de modo algum! Há, realmente, aqueles, que se prendem de modo exagerado e patológico a sinais externos, como as vestes eclesiásticas e paramentos, descuidando-se de outros aspectos importantes e até mesmo do cultivo de uma piedade profunda, madura e integrada, de um zelo pastoral verdadeiro, de uma simplicidade de vida, sem ostentações ou luxos e sem excessivas preocupações materiais. Mas, daí, a se afirmar, como é costume hoje em muitos meios da Igreja, que valorizar o sagrado do sacerdócio é sinal e sintoma de hipocrisia, de carreirismo, de exibicionismo, de autoafirmação e mascaramento, é realmente um passo muito comprido e serve somente para justificar o outro extremo: a secularização, a vida sem piedade, uma compreensão do sacerdócio de modo simplesmente humano, funcional e mesmo profissional...

5. Vivemos num mundo complexo, paganizado, em crise de valores... Os jovens que entram no seminário não vêm do céu, mas do mundo. É fácil tirar o menino do “mundo”, mas tirar o “mundo” do menino, como é difícil. Aqui a urgência de uma formação seminarística que dê mística sacerdotal sólida, madura e profunda aos candidatos ao sacerdócio, também a necessidade de conhecer a dinâmica afetiva dos seminaristas. É preciso ter bem claro: um rapaz que não consiga ser casto no celibato não pode, de modo algum, ser padre! Um rapaz com tendências pedófilas tem que ser imediatamente mandado embora do seminário. Do mesmo modo, um sacerdote que se mostra incapaz de viver seu celibato deve ser aconselhado a deixar o exercício do ministério e, no caso de pedofilia, deve ser realmente excluído do exercício do sacerdócio: deve ser demitido do estado clerical. Quanto à tão propalada condescendência de Igreja com padres pedófilos no passado, é bom não esquecer que não se tinha nem de longe ideia da extensão e da gravidade da situação dessas pessoas pedófilas... O problema da pedofilia na sociedade é uma realidade que emergiu há poucas décadas atrás e ainda nos surpreende a todos!

6. É bom também que se saiba que na Igreja há o Direito Canônico: ninguém pode ser condenado sem uma acusação formal, sem ser antes advertido, sem o direito de defender-se. Não é justiça e é contra a caridade promover pura e simplesmente uma caça às bruxas. Como também é pecado grave de omissão por parte da autoridade eclesiástica simplesmente fechar os olhos para os escândalos e delitos dos sacerdotes: é necessário tomar corajosamente as medidas cabíveis!

7. Uma coisa importante: a infidelidade de muitos não pode deixar na sombra a fidelidade heróica e silenciosa de muitos e muitos tantos que, no dia-a-dia, sem aparecer em jornais, dão um esplêndido testemunho de amor a Cristo e aos irmãos. Que ninguém duvide: a grande maioria de nossos padres vive com alegria e amor a Cristo o seu celibato e é digna de todo o respeito e toda a confiança de nossa parte! Os católicos devem ter muito cuidado com uma imprensa em geral anticristã e sensacionalista, preocupada não com a verdade, mas com o escândalo. Quanto já se tentou incriminar o Santo Padre dos mais variados modos! Quanto já se deturpou atitudes e palavras do Papa! Que inferno fizeram os meios de comunicação com o caso da menina do aborto de Alagoinha, em Pernambuco... Até quando seremos ingênuos, achando que os meios de comunicação transmitem a mais pura verdade, sem escusos interesses por trás da notícia?

8. Uma última observação: nos momentos de glória e beleza da vida da Igreja (como, por exemplo, no sepultamento de João Paulo II) é fácil estufar o peito e declarar-se católico. O católico verdadeiro, o verdadeiro filho da Igreja, é aquele que nos momentos de dor e de escândalo, quando a Igreja é apedrejada, chora com sua Mãe católica, crava os olhos em Cristo, reza e permanece fiel. Para este, vale a palavra do Salvador: “Fostes vós que permanecestes comigo em todas as minhas tribulações!” Nunca esqueçamos: o mundo não está preocupado com o bem da Igreja ou das vítimas da pedofilia, mas com o escândalo, o sensacionalismo e a imposição hipócrita do politicamente correto. É só!



Escrito por Dom Henrique às 23h21

sábado, 20 de março de 2010

Pedofilia, celibato e fé

A Igreja Católica está sob ataque em razão das sucessivas denúncias contra religiosos em razão de casos de pedofilia? Sim, está. Há setores anticlericais que estão se aproveitando dos graves e inúmeros casos de pedofilia envolvendo religiosos católicos para deteriorar o papel e a importância moral da Igreja no mundo. Bem, apesar disso, não se pode culpar os acusadores pelos erros da própria Igreja, que foi pusilânime com os maus religiosos que usaram o seu hábito e o seu carisma para praticarem abusos sexuais contra crianças e adolescentes. Benevolente com os religiosos, a Igreja foi omissa para com as vítimas, permitindo com a sua omissão que esses religiosos criminosos voltassem a cometer os mesmos delitos.

Alemanha, Holanda, Irlanda são países em que a Igreja tem sofrido de modo mais agudo as consequências da sua tolerância com religiosos pedófilos. Não que a Igreja não visse nessa prática de alguns poucos um delito ou uma grave falta, porém sempre viu com misericórdia e dando ao religioso que caiu em erro a chance de recomeçar. Na prática, terminou por dar a oportunidade para novos abusos, ao invés de afastar das suas funções o religiosos e denunciá-lo às autoridades civis. Pedofilia é crime; e dos mais graves: destrói a infância, tira dos jovens a sexualidade saudável, os valores corretos, a fé verdadeira. O religioso pedófilo pratica um crime mais grave porque alimenta os seus instintos primitivos através da força moral do seu hábito, da autoridade que possui diante da vítima, inclusive de perdoar os pecados...

Como católico, sinto-me envergonhado, tal qual o Papa Bento XVI. A Igreja errou, pecou pela omissão tolerante, mesmo que pelas melhores razões. E está pagando um grave preço por isso, inclusive diante de Deus. Infalível em questões de fé, o Papa pode errar em decisões pessoais, administrativas e políticas. Reconhecer esse grave erro, fazer o mea culpa, adotar uma severa política contra os religiosos pedófilos e colaborar com as autoridades civis são os caminhos que a Igreja está perlustrando, ao lado de uma atenção carinhosa, compreensiva e responsável pelas vítimas dos abusos praticados.

Amo a Igreja de Cristo. Tenho absoluta clareza que o celibato nada tem a ver com a questão da pedofilia. O celibato, a castidade, a ascese, sempre foram, em todas as religiões, meios de aproximação do homem ou mulher a Deus. Já os antigos rezavam: - "Dai-me um coração que seja um!". Sublimar a sexualidade é um ato de amor a Deus, assim como a abstinência de outros apetites: voto de pobreza, voto de silêncio, etc. Abdicar de uma vida sexual ativa, castrar-se pelo amor a Deus, ser eunuco pelo Reino, é entregar-se a aventura do amor integral e da renúncia sofrida, dolorosa, e por isso mesmo renúncia. São Francisco de Assis deitou-se nu sobre uma imaginária mulher feita de neve, diante da força da sua sexualidade e do desejo de se conservar casto e disciplinado para a sua dura missão: viver a pobreza e anunciar o Reino.

“Para defender sua pureza, São Francisco de Assis rolou na neve, São Bento se jogou em um arbusto de espinhos, São Bernardo trancou-se em um depósito gelado. E você, o que fez? Não diga “esse é meu jeito de ser, é meu caráter”. Não! É sua falta de caráter. Seja homem! Quando você decidir firmemente viver uma vida pura, a castidade não será um peso para você, será uma coroa de triunfo”.
São Josemaria Escrivá
É isso. Celibato é coisa para homem, para gente de fibra e de coragem! Pena que alguns se façam padres sem serem homens integrais. Podem ser homossexuais? Até podem. Mas vivendo a homossexualidade casta, cujo afeto é plenamente entregue a Deus. Então, também o problema não está no fato da existência de religiosos homossexuais; está na homossexualidade desenfreada, na entrega dos religiosos aos seus extintos, usando da sua posição privilegiada para ir à cata de jovens objetos sexuais, como passam a ver os jovens que estão aos seus cuidados.

A pedofilia tem sido praticada por heterossexuais casados aos borbotões. A internet está repleta de exemplos de corrupção de menores. O escândalo maior, nada obstante, é quando um religioso é flagrado usando a fé como arma para submeter as suas vítimas. E aí a gravidade do crime pede uma reação duríssima da sociedade e, sobretudo, da Igreja.

Podemos errar. Podemos pecar contra a castidade. Um padre pode se apaixonar por uma pessoa e ser infiel ao celibato, assim como um marido pode não ser fiel à sua esposa e ser infiel à castidade. Estamos no plano privado, em que as conduta serão analisadas à luz da fé. Mas um homem, casado ou religioso, não pode ser pedófilo, não pode abusar da infância e da juventude: além de um grave pecado, comete um crime! E como criminoso deve ser tratado por todos, inclusive e sobretudo pela Igreja.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Vocação e fé

A perda da vocação é terrível para um padre. Porque vocação, fé e vida andam juntas. O homem que perde a vocação, mas conserva a fé, vive um drama profundo, podendo muitas vezes viver dignamente a missão abraçada, mesmo quando já não mais se realiza. Porque vê aquele sofrimento pelas lentes da fé.

O padre que perde a fé, já não mais tem vocação. A vida religiosa passa a ser um um simulacro, um engodo, em que o padre permanece vivendo o sacramento da ordem já agora sem sacramentalidade. Pior: sem fé, sem temor a Deus, usa a sua condição para tentar legitimar as suas transgressões, levando jovens a viverem atos contrários à fé e à Igreja.

O programa Conexão Repórter, do SBT, apresentado por Roberto Cabrini, revelou de modo terrível o envolvimento sexual de padres de Arapiraca com seus acólitos. Ao menos quanto ao Monsenhor Luiz Marques, de 82 anos, a acusação vem comprovada por vídeo de relações sexuais entre ele e um coroinha, que o denuncia (a reportagem pode ser vista aqui; matéria do Uol, aqui).

O mal que estes religiosos causaram a esses meninos e à Igreja não tem tamanho. São homens que perderam a fé, a vocação e a razão. Perderam-se de Deus e se jogaram na satisfação dos instintos. E como é triste ver que perderam o temor de Deus e o amor por ele. Já não viam mais a missa como um memorial sagrado; já não criam mais no milagre do sacramento da ordem; já não eram mais padres...

E por isso transformaram os seus coroinhas em homem-coisa, em objetos para a satisfação da sua homossexualidade descontrolada. Uma pena, enfim!