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terça-feira, 11 de agosto de 2009

A marcha da insensatez: nova greve da educação

Os professores alagoanos seguem na marcha da insensatez, com a sua greve estúpida e equivocada. A Agência Estado publicou hoje uma matéria sobre o tema, com uma frase cheia de sentido da presidente do Sinteal:



"Só vamos voltar ao trabalho esses três dias, de quarta a sexta-feira, para não comprometer a legalidade do nosso movimento e evitar retaliação aos grevistas. Por isso vamos cumprir o prazo legal de 72 horas para que possamos deflagrar um segundo movimento paredista, desta vez por tempo indeterminado", explicou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal), Girlene Lázaro.

A principal reivindicação do SINTEAL é o reajuste salarial de 15%, mas na pauta de nove itens que eles entregaram ao governo do Estado constam também melhores condições de trabalho, contratação dos concursados de 2005 e a melhoria na qualidade do ensino. Na verdade, puro diversionismo. Sempre que um grevista fala em melhoria nas condições de trabalho lembro-me daqueles conceitos indeterminados que servem apenas de aparato retórico. Que condições de trabalho, quando o SINTEAL solapa o dinheiro da educação apenas para pagar folha de salário? Segundo Girlene, conforme a Agência Estado, a continuidade da greve foi aprovada por unanimidade pela categoria porque o governo do Estado até agora não acenou com uma proposta de reajuste salarial e ainda não demonstrou interesse em atender os demais pontos da pauta de reivindicações.

Certo está mesmo o governo, e mais certo estará se endurecer os procedimentos e começar a demitir os faltosos. Sinto-me extremamente perplexo em ver, mais uma vez, uma greve irresponsável destruir os sonhos de adolescentes e crianças alagoanos. É um crime.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Greve: falam os estudantes

Os estudantes falam sobre a greve dos professores e reagem contra esse crime praticado contra a infância e juventude. Falam sobre o descaso do sindicato, que mais uma vez parte para uma medida radical sem analisar os efeitos colaterais. E que efeitos seriam esses?

O Governo do Estado já anunciou que, com a greve, cerca de oito mil estudantes do Ensino Médio de 17 municípios alagoanos, que estariam sendo transferidos e matriculados na rede estadual, no início do mês de agosto, podem perder o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será realizado em outubro.

E com os alunos fora da sala de aula, será inviabilizada uma série de ações interligadas, como a renovação da matrícula para 2010 e a finalização do Censo Escolar, ambos previstos para o mês de agosto.

Sem a matrícula e o Censo – até o momento apenas 40% das escolas concluíram os dados –, Alagoas vai perder recursos para o financiamento do setor para o próximo ano, inclusive para o pagamento dos próprios professores.

É o custo-aluno que determina o quantitativo de recursos para Estados e Municípios, com o agravante de que a principal fonte de recursos para a Educação no país – o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) – sofre com a perspectiva de redução devido ao impacto da atual crise financeira.

Sobre as reivindicações da categoria, o Governo adianta que o assunto é debatido por uma mesa de negociação e um comitê vai ser instalado para buscar soluções para as solicitações dos professores e servidores.

Fonte: Tudo na Hora (aqui).

A greve poderá mutilar alunos que poderiam realizar o ENEM, porta de entrada para uma universidade. Vai atrapalhar o censo da educação, desestimulando os estudantes, com a consequente perda de recursos federais do Fundeb para o exercício de 2010. Um crime contra os alunos e contra os próprios professores, porque a queda de receita do Fundeb repercute diretamente na remuneração a que eles poderiam ter direito. No money, no pay.

Muitos professores não foram na onda dos grevistas e das suas (eternas) lideranças. Preferiram ficar na sala de aula, preocupados com o calendário escolar, que já iniciou tardiamente. Mas o SINTEAL, apesar do discurso progressista, cheio de preocupação social, não liga para as consequências dessa greve inoportuna e irresponsável. Com a palavra, então, os alunos:



E o Ministério Público? Não toma nenhuma atitude contra o excesso sindical?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

15 dias de irresponsabilidade

Eu já havia falado sobre o uso político da grave pelos sindicatos, notadamente o SINTEAL. Hoje, paralisaram as atividades por 15 dias. Os alunos que - mais uma vez! - paguem o preço por essa irresponsabilidade institucionalizada e cíclica. Assim que acabar a negociação com os professores, o pessoal administrativo entra também em greve. E mais uma vez se repetirá o procedimento já ensaiado e óbvio do Sindicato, que vem ajudando a deteriorar de vez a qualidade do ensino público.

Segundo a Gazetaweb (aqui):

Mais uma vez os servidores da Educação se reúnem e decidem por advertência ao Governo do Estado. O encontro ocorreu no Clube Fênix Alagoano, na Avenida Assis Chateaubriand, Centro de Maceió, na manhã desta quarta-feira (22). Por unanimidade ficou acertado que após 72 horas, a partir de hoje, as atividades serão paralisadas durante 15 dias. Hoje à tarde os representantes da categoria, juntamente com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) se reuniram com o secretário Rogério Teófilo, mas não obtiveram resultado positivo.

Segundo Izac Jackson, presidente da CUT, o Governo apresentou dificuldades com os números. “Mas por outro lado queremos uma proposta onde sejam mostrados números suficientes para atender ao conjunto de servidores e não somente da Educação. Porque em termos reais acreditamos que exista margem para o governador cumprir o pagamento das datas-base”- esclarece Jackson.

Com os servidores da Educação, segundo ele, a pendência do Estado é das datas-base referentes a 2008/2009 e com as demais categorias já são três.

“Existe a responsabilidade fiscal, mas também do lado de cá os subsídios corrigidos pela inflação e o servidor não pode perder”- enfatiza o presidente da CUT.

Na semana passada, conforme Izac, houve uma reunião entre CUT, Sinteal e Governo e “na ocasião ele apontou a vontade de entendimento com os servidores. Pediram a nossa ajuda [CUT] e abracei a causa. A luta agora é por todas as categorias, saúde, educação, agentes, peritos, entre outros”- conclui.

Como não ficar indignado com essa (im)postura da CUT e do SINTEAL, justamente quando se anuncia mais uma vez uma redução severa do FPE e o risco iminente do Estado, na situação atual e sem a concessão de um mísero real de aumento, descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e se inviabilizar financeiramente? Vejam a fala do Izac: sabe-se que o Estado não tem dinheiro, mas mesmo assim se faz a greve. E qual o pano de fundo disso? A eleição do SINTEAL. A oposição do sindicato busca tocar fogo na assembleia e a direação sindical não pode ou não tem como fazer o discurso da racionalidade. O que resta? A irresponsabilidade do efeito manada.

Agora, aproveito para falar sobre o comentário do meu caro Yuri, feito no post anterior sobre essa greve. Yuri, o Estado não tem dinheiro! Independentemente de cortes que se façam, Alagoas está endividada, com a sua receita corrente líquida comprometida até o limite com pagamento de salários, e isso para termos um serviço público de péssima qualidade. (por diversas razões, é certo, e sem que aqui se esteja estigmatizando os servidores públicos, a maioria deles comprometida com o trabalho e o desenvolvimento do Estado). Criou-se uma cultura, inclusive entre os formadores de opinião, de excessiva condescendência com a elite sindical alagoana - os mesmo de sempre há anos! -, justamente porque é o único setor organizado da sociedade civil. Eles têm força pela sua capacidade de mobilização e pela economia alagoana ser extremamente dependente do setor público, que é o maior empregador do Estado.

Se eu estivesse na secretaria da Gestão Pública estaria publicamente descendo a lenha nessa greve, cortando o ponto e indo para o enfrentamento na mídia. Está na hora de haver demissões por abuso do direito de greve e responsabilização dos sindicatos. E a minha postura não é radical, não. Eu não vejo outra saída para o Estado de Alagoas: reestruturação das suas finanças e aplicação firme de princípios da governança responsável. Dentro disso, a inflexibilidade com essas greves abusivas e irresponsáveis.

Quem conhece um pouquinho o setor da educação de Alagoas sabe que os nossos jovens estão sendo mutilados na sua formação. Imagine uma criança ou um adolescente que fica períodos a fio parado, todos os anos, por causa das greves. Além de ter as aulas suspensas, quebrando o seu estímulo, ainda terá que enfrentar reposições ridículas de aulas, fazendo de conta que cumpriu a carga horária mínima. Quem pagará essa conta no futuro?