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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cala a boca, Galvão

Uma deliciosa brincadeira que ganhou o mundo: a campanha "Cala a boca, Galvão", que tomou conta do Twitter. Em um vídeo bem bolado, os anarquistas inventaram uma campanha para salvar o pássaro em extinção "Galvão". Pediam, então, que as pessoas colocassem no Twitter a expressão "Cala a boca, Galvão", porque a cada twuitada geraria uma determinada receita para a Fundação Galvão. Virou febre. Veja o vídeo:




A história ganhou o mundo. Reproduzo a matéria do El País, o mais importante jornal da Espanha. Uma graça, sem dúvida.


'¿Cala boca, Galvao?'

Un mensaje en Twitter con una broma de los usuarios brasileños está en los 'Trending Topics' desde hace días

MARINA GONÇALVES - Madrid - 15/06/2010

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"Cala boca, Galvao" (Cállate la boca, Galvao) está en los Trending Topics (los temas más populares) mundiales de Twitter desde hace por lo menos tres días. Unos dicen que es el nuevo videoclip de Lady Gaga; otros que es una campaña para salvar a una especie rara de pájaros en Brasil. La verdad es que "Cala boca, Galvao" es una gran broma de los usuarios brasileños de Twitter -el país es el segundo del mundo en número de usuarios, detrás de los estadounidenses. Galvao Bueno es uno de los comentaristas deportivos más conocidos en el país del fútbol. Y "cala boca" significa cállate la boca.

      La noticia en otros webs

      El comentarista deportivo brasileño Galvao Bueno, que generó la petición en Twitter es el gran tema de la prensa brasileña antes del estreno de la canarinha, hoy, a las 20:30. Ayer por la noche, la TV Globo contestó de manera divertida la solicitación de los aficionados - que piden en la red social que Galvao deje de hablar tanto durante los partidos - y ha creado un videojuego con las frases más populares del locutor, que está en Sudáfrica. El juego se llama Fala, Galvao! (!Habla, Galvao!).

      La broma empezó en la ceremonia de apertura del Mundial, el viernes pasado, cuando Galvao Bueno, periodista de la TV Globo, no paraba de hablar durante la retransmisión. Los brasileños empezaron a tuitear la expresión. Y después de algunas horas la frase ya estaba en el pico de los Trendings Topics. Los usuarios que no sabían portugués, los estadounidenses principalmente, empezaron a preguntarse lo que significaba la expresión y los brasileños crearon varias versiones, todas ellas falsas.

      Una de las historias inventadas es la versión de que "Cala boca, Galvao" es el nuevo videoclip de la cantante Lady Gaga. Comenzó otra avalancha de tweets y noticias que querían saber dónde estaría la versión oficial del vídeo. Pues un brasileño creó una. En un día obtuvo más de 50.000 reproducciones. La versión más difundida, sin embargo, es que "Cala a boca, Galvao" hace referencia a una campaña del Galvao Institute, instituto creado para salvar los pájaros Galvao, casi extinguidos en Brasil. Según un vídeo en inglés colgado en Youtube, las aves son asesinadas en la época del carnaval y sus plumas son utilizadas en los disfraces. Por cada tweet, el instituto ganaría 10 céntimos de real (aproximadamente 4 céntimos de euro). Hasta ahora más de 180.000 personas vieron el vídeo.

      sábado, 13 de março de 2010

      This is it

      This is it é o filme de Michael Jackson. Os preparativos para os shows que faria em Londres. Mostra um grande artista, a sua genialidade, a relação com a música e com o palco, a dança planejada em cada detalhe, a inquietação em busca dos passos e gestos perfeitos. Doce com os músicos e dançarinos, buscava com eles uma relação próxima, vendendo-lhes o sonho de participarem de uma aventura como se fossem parte de uma família.

      Impressionante o seu talento, que escondia nos ensaios a sua angústia, os seus dramas, a necessidade daquela dose cavalar de medicamentos para conseguir dormir. O seu sono era afastado pelo medo de falhar, pela pressão da mídia que o oprimia, pelas constantes notícias falsas sobre a sua capacidade de ensaiar e de cantar; até mesmo a voz - dizia-se - já não era mais a mesma. O mito e as suas necessidades engolira o homem, pequeno diante do peso de ser o artista número um, mesmo em evidente decadência causada por tantos escândalos que a sua figura bizarra incentivava.

      Michael Jackson era um grande artista e um pequeno homem. A criança que fora esmagada pelo pai não deixara o adulto se formar; a criança oprimida oprimia agora o homem, acorrentado a um mundo de ilusão, muito bem representado pela neverland, construída em uma fazenda de horrores midiáticos.

      O filme mostra o talento daquele artista que afirmavam morto. A morte do homem ironicamente fizera redivivo o artista, o rei do pop. Uma trágica inversão: Michael Jackson foi salvo como mito pela morte do homem angustiado e perdido que se escondia nas franjas da sua fama, do sucesso arrebatador, dos escândalos terríveis, dos processos por pedofilia (cuja inocência declarada judicialmente não salvou a imagem pública). A sensação que tenho hoje, após assistir o filme, é que a sua figura adulterada por tantas cirurgias plásticas servia de atração para toda a sorte de maledicências e fofocas grosseiras. Mesmo sendo uma pessoa doce e afável, conseguiu atrair a ira e a inveja de muitos, que viram em sua estampa esquisita um campo fácil para o ataque e as manchetes fáceis. Afinal, o Rei do Pop gerava notícias e, com elas, muito dinheiro.

      Indico o filme a quem interessar. É bom ver as músicas famosas cantadas pela última vez pelo grande artista, os seus cuidados com o show, o envolvimento da equipe, a sua relação afinada com o diretor do espetáculo... Enfim, um documentário bem feito e alegre sobre um homem triste e perdido.

      segunda-feira, 8 de março de 2010

      BBB 10 e a verdadeira diversidade

      Quando estou livre, assisto o Big Brother Brasil. É divertido como entretenimento. Quem quiser programas intelectuais na televisão, há bons canais pagos para isso, como o History, por exemplo, ou mesmo alguns bons programas da Globonews. Na televisão, busco divertimento.

      O sucesso do BBB 10 está na diversidade. Juntaram no confinamento um drag queen, um gay jovem assumido e uma lésbica bonita, além de trazerem de volta o ex-BBB Marcelo Dourado, uma pessoa de poucos argumentos, digamos assim. Os outros participantes terminam sendo meros figurantes nesse conflito latente entre os "diferentes", Dourado entre eles. Porque ele também faz parte de uma minoria: trata-se de um cara que tem a suástica tatuada no corpo, embora sem nem ao certo saber o porquê (ou até mesmo sabendo, sabe-se lá), pensando mais com os punhos de lutador.

      No mundo do politicamente correto, os homossexuais assumidos poderiam ser tratados como minoria, como pessoas do bem, e o cara da suástica, que declaradamente não gosta de viados, estaria na história como vilão. Mas Dourado conseguiu dobrar a resistência interna em sucessivos paredões, voltando sempre, porque os outros concorrentes suscitaram razões maiores para serem rejeitados pelo público. O público, aliás, não entrou no jogo do politicamente correto, separando de modo maniqueísta os bons e os maus, sendo os gays bons justa e simplesmente por isso, e Dourado o mau apenas por dizer que não gosta de gays ou por ser meio brucutu.

      Vozes levantam-se horrorizadas contra Dourado, que quebra a lógica do politicamente correto. No Yahoo lemos a seguinte notícia:

      Jean Wyllys criticou Marcelo Dourado em seu blog, no Bloglog. O escritor, vencedor da quinta edição do Big Brother Brasil, publicou texto entitulado "Autoridade dourada e facista" em que afirma que o sucesso do ex-lutador demostra um "apelo misterioso junto às massas", além de ameaçar, de certa forma, os valores tradicionais da sociedade brasileira.

      "É como se o fato de o programa abrigar um 'sapatão', uma drag queen e uma 'bicha' andrógina pós-adolescente, bem como uma desinibida dançarina de boate, uma policial militar boquirrota e que se diz sexualmente desenfreada e um judeu editor de pornografia; é como se o fato de o programa abrigar essa fauna diversa ameaçasse os valores morais das audiências heterossexuais e zelosas da família tradicional; como se derrubasse suas certezas e mergulhasse suas vidas interiores num caos".
      O coitadismo que tentam impor ao programa é evidente, imaginando que o politicamente correto deva prevalecer até mesmo em um tolo reality show. Dourado encarnaria o preconceito, o mal em estado bruto, devendo ser expurgado por isso. Pura bobagem. Certo que a sua visão de mundo é estreita; mas em que seria mais larga a visão dos demais? Todos ali mostram-se adultos infantilizados, querendo agradar o público e uns aos outros, sem muito de diferente entre eles (é certo que a Fernanda bem que tem aspectos a serem melhor analisados....).

      Bem, seja como for, a diversidade do programa a ser comemorada é justamente o casca grossa Marcelo Dourado. Tendo superado vários paredões, o cara já é um vencedor, sendo o realmente diferente em um jogo de iguais.