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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Igreja Universal e doleiros

Mais uma da Universal do Reino (de quem?):

Doleiros dizem que Igreja Universal enviou R$ 400 milhões ao exterior

quarta-feira, 28 de abril de 2010 | 5:13

Bruno Tavares e Marcelo Godoy - O Estado de S.Paulo

A Igreja Universal do Reino de Deus é acusada de ter enviado para o exterior cerca de R$ 5 milhões por mês entre 1995 e 2001 em remessas supostamente ilegais feitas por doleiros da casa de câmbio Diskline, o que faria o total chegar a cerca de R$ 400 milhões. A revelação foi feita por Cristina Marini, sócia da Diskline, que depôs ontem ao Ministério Público Estadual e confirmou o que havia dito à Justiça Federal e à Promotoria da cidade de Nova York.

O criminalista Antônio Pitombo, que defende a igreja e seus dirigentes, nega as acusações.

Cristina e seu sócio, Marcelo Birmarcker, aceitaram colaborar com as investigações nos dois países em troca de benefícios em caso de condenação, a chamada delação premiada. Cristina foi ouvida por três promotores paulistas. Ela já havia prestado o mesmo depoimento a 12 promotores de Nova York liderados por Adam Kaufmann, o mesmo que obteve a decretação da prisão do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), nos Estados Unidos - ele alega inocência.

Os doleiros resolveram colaborar depois que a Justiça americana decidiu investigar a atividade deles nos Estados Unidos com base no pedido de cooperação internacional feito em novembro de 2009 por autoridades brasileiras. Em Nova York, eles são investigados por suspeita de fraude e de desvio de recursos da igreja em território americano.

Seus depoimentos foram considerados excelente pelos investigadores. Ela afirmou aos promotores que começou a enviar dinheiro da Igreja Universal para o exterior em 1991. As operações teriam se intensificado entre 1995 e 2001, quando remetia em média R$ 5 milhões por mês, sempre pelo sistema do chamado dólar-cabo - o dono do dinheiro entrega dinheiro vivo em reais, no Brasil, ao doleiro, que faz o depósito em dólares do valor correspondente em uma conta para o cliente no exterior. Cristina disse que recebia pessoalmente o dinheiro.

Subterrâneo. Na maioria das vezes, os valores eram entregues por caminhões e chegavam em malotes. Houve ainda casos, segundo a testemunha, que ela foi apanhar o dinheiro em subterrâneos de templos no Rio.

Cristina afirmou que mantinha contato direto com Alba Maria da Silva Costa, diretora do Banco de Crédito Metropolitano e integrante da cúpula da igreja, e com uma mulher que, segundo Cristina, seria secretária particular do bispo Edir Macedo, fundador e líder da igreja.

De acordo com a testemunha, ela depositou o dinheiro nos EUA e em Portugal. Uma das contas usadas estaria nominada como “Universal Church”. Além dela, os promotores e procuradores ouviram o depoimento de Birmarcker. Ele confirmou a realização de supostas operações irregulares de câmbio para a igreja, mas não soube informar os valores.

Os doleiros Cristina e Birmarcker estão na relação de investigados no Caso Banestado (inquérito federal sobre evasão de divisas). Em 2004, foram alvo da Operação Farol da Colina - maior ofensiva da história da Polícia Federal contra crimes financeiros no País. Cristina e Birmarcker foram presos na ação e hoje respondem a processo na 2.ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

No Brasil, Macedo e Alba estão entre os diretores do chamado Grupo Universal processados sob as acusações de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro obtido de fiéis por meio de estelionato. Alba representaria no País as empresas Investholding e Cableinvest, ambas sediadas em paraísos fiscais. A acusação sustenta que elas seriam usadas para a lavagem de dinheiro. Aqui



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Universal: aula para tirar dinheiro dos fiéis em tempos de crise

Uma lição de fé e esperança no Reino de Deus: como roubar o povo de Deus. O autodenominado bispo Romualdo Panceiro dá uma aula para tirar o dinheiro dos pobres que, com fé, procuram a solução dos seus problemas na Universal:

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Um Mundo Universal

Tenho de quando em vez assistido o impressionante apóstolo Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus. São coisas impressionantes que se podem ver nos programas, numa sucessão de milagres como nunca antes na história desse país se viu. Cadeiras de rodas são elevadas ao ar por aqueles que estavam impossibilitados de andar por graves enfermidades (tantos são os curados em cada sessão ou culto, que já há os que passaram a ser chamados de "ex-cadeirantes").

A Igreja Universal, diante dessa nova concorrente voraz, passou a acelerar a demonstração das suas curas. Semana passada, por exemplo, um pastor curou um paraplégico, após passar óleo em suas pernas enquanto orava com fervor e, de um modo forte, gritou para que o espírito malígno abandonasse o paciente. E o homem enfermo levantou-se e começou a andar aos gritos de aleluia.

Sou fã, na verdade, de Valdemiro Santiago. O homem é uma figuraça, ri de si mesmo, sabe-se processado aos borbotões por suas peripécias, digo, milagres. E não está nem aí. Continua curando a torto e a direito, olimpicamente detonando câncer, paralisia de toda sorte, dor de cabeça, espinhela caída, "macumbarias" (conforme ouvi um dia desses num programa, que por certo sofrerá processo de associações afro). Uma coisa impressionante.

Sei que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, mas não posso deixar aqui de me lembrar do processo que os líderes da Igreja Renascer respondem perante o STF, cujo voto proclamado pelo Min. Marco Aurélio toca em um ponto importante: no Brasil ainda não existe lei federal definindo o que sejam organizações criminosas, razão pela qual o Apóstolo Hernandez e a sua Bispa podem se livrar de diversas acusações que o Ministério Público lhes imputou.

Bem, o certo é que essas seitas neopentecostais estão crescendo, dando mais do que chuchu na serra. Cada vez que um cadeirante levanta uma cadeira de rodas e grita "aleluia", uma porção de pessoas de boa fé, em crise ou desespero, corre para um templo de uma dessas igrejas, buscando aplacar as suas dores, dispostas a tirar do bolso o seu último real em troca de prosperidade ou de um pouco de esperança. E aí começa o ciclo sem fim, que pode terminar sempre em Nova York.

Saiba mais aqui.


A IURD está espalhada pelo mundo. Cresceu de modo impressionante a partir da pobreza brasileira, sempre com um mesmo método de trabalho, mesmo na Europa (lá também existe desemprego e desespero). Lendo o site da IURD na Espanha, há um link educativo sobre o dízimo. Aprendi que não se pode usar o dízimo para ajudar os pobres, mas apenas para repassar à Igreja. Caberá à Iurd fazer o seu uso da forma que lhe for adequado:



El diezmo no puede ser utilizado aleatoriamente, aunque sea en beneficio de personas pobres y necesitadas. La administración del diezmo cabe exclusivamente a la iglesia, y, los sacerdotes responsables por ella es que deben definir donde y cuando utilizarlo.

Imagine si todos los cristianos utilizaran el diezmo para hacer donaciones o algo parecido, la iglesia no tendría condiciones de funcionar ni anunciar la salvación. El cristiano sincero conoce la necesidad de su iglesia y por eso jamás emplearía su diezmo de manera incorrecta, aunque eso tuviera apariencia de gesto piadoso.

Fonte:http://www.familiaunida.es/diezmo/6-preguntasutiles.html

sábado, 19 de setembro de 2009

Universal e Mundial: duas faces da mesma moeda

Em 2007 eu escrevia sobre a Igreja Universal e os seus milagres (veja aqui). Com a Igreja Mundial do Poder de Deus, penso estarmos em uma potencialização daquele fenômeno, em que a teologia da prosperidade se converte numa corrente de milagres, prometidos e apresentados a torto e a direito, de tal sorte que o que poderia ser um fenômeno excepcional se apresenta como uma realidade normal e cotidiana. O povo pobre e carente de tudo vai ao delírio e entrega as suas posses em busca de um milagre verdadeiro que, infelizmente, não virá...

Reproduzo aqui o vídeo que me fez (e faz) morrer de rir sobre esses milagres prometidos pelos profetas do absurdo:

sábado, 15 de agosto de 2009

Conexão colombiana da fé universal

Reproduzo aqui a coluna do Diogo Mainardi na Veja desta semana. Um tema sobre o qual se falava no passado e que, parece, poderá receber luzes sobre ele:

Diogo Mainardi

O dízimo do tráfico

O pastor Carlos Magno de Miranda, em 1991, acusou a Igreja Universal de ter comprado a Rede Record com dinheiro de narcotraficantes colombianos. Agora, com duas décadas de atraso, o episódio finalmente poderá ser esclarecido. Os mesmos promotores que, na semana passada, denunciaram criminalmente Edir Macedo e outros integrantes da Igreja Universal indagam também a suspeita de que a segunda parcela da compra da Rede Record possa ter sido saldada com recursos do Cartel de Cali. Carlos Magno de Miranda é uma das testemunhas arroladas pelo Ministério Público, e os promotores cogitam pedir a abertura de mais um processo contra os donos da Rede Record.

Carlos Magno de Miranda era um dos líderes da Igreja Universal. Em 1990, ele se desentendeu com Edir Macedo e passou a atacá-lo publicamente. Num dos documentos obtidos pelo Ministério Público, ele relatou os detalhes de sua ida a Medellín, para receber o dinheiro dos narcotraficantes colombianos. Ele teria viajado com os pastores Honorilton Gonçalves e Ricardo Cis, todos acompanhados de suas mulheres. Permaneceram dois dias na cidade. No primeiro dia, aguardaram no hotel. No segundo dia, um mensageiro entregou-lhes uma pasta contendo 450 000 dólares. As mulheres dos pastores esconderam o dinheiro nas calcinhas e, de madrugada, retornaram ao Rio de Janeiro num jato fretado. Segundo Carlos Magno de Miranda, os fatos teriam ocorrido entre 12 e 14 de dezembro de 1989. Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) analisaram os registros aeroportuários da Polícia Federal e – epa! – documentaram que, naqueles dias, os pastores da Igreja Universal realmente foram a Medellín, com escala em Manaus.

O Ministério Público, além disso, entrou em contato com autoridades americanas para poder interrogar o narcotraficante colombiano Víctor Patiño, que foi preso em 2002 e extraditado para os Estados Unidos. Seu nome foi associado ao da Igreja Universal em 2005, quando a polícia colombiana descobriu que uma de suas propriedades em Bogotá – uma cobertura de 600 metros quadrados – era ocupada por Maria Hernández Ospina, que alegou ser representante de Edir Macedo. Uma das dificuldades dos promotores do Gaeco é que Edir Macedo tem cidadania americana, dado confirmado oficialmente pelo consulado. O Ministério Público já encaminhou todos os documentos do processo contra Edir Macedo aos Estados Unidos, para que os americanos possam abrir um inquérito próprio.

A Igreja Universal, nos últimos dias, atrelou sua imagem à de Lula. É a mesma estratégia empregada por José Sarney. Um apoia o outro. Um defende o outro. Edir Macedo está com Lula e com Dilma Rousseff. Agora e em 2010. Se a Igreja Universal tem um Diploma do Dizimista, assinado pelo senhor Jesus Cristo, Dilma Rousseff tem um Diploma de Mestrado da Unicamp, supostamente assinado pelo senhor Espírito Santo. O senhor Edir Macedo e o senhor Lula se entendem. Eles sabem capitalizar a fé.

****
Na verdade, a Igreja Universal, embora tente reduzir as acusações feitas pelo Ministério Público de São Paulo a um guerra de grupos de comunicação, encontra-se diante de um adversário forte, competente e temido: o GAECO, esse grupo de promotores que desarticulou os esquemas de Paulo Maluf e sua família, entre outros importantes trabalhos de combate ao crime organizado. A ação proposta e as medidas tomadas perante autoridades de outros países onde a IURD tem negócios, como os Estados Unidos, país que deu cidadania a Edir Macedo, irão gerar novas dores de cabeça aos milionários donos da Universal.

Além disso, hoje os líderes da IURD não contam com a solidariedade de outras denominações petencostais, como no passado. Silas Malafaia, em vídeo que está circulando na internet, mostra-se ressentimento contra o assédio de pastores da Universal, que tentaram contratar os horários usados por ele em emissoras de televisão. Isso em 2007. Agora, em que a guerra Record Vs. Globo foi declarada, Edir Macedo terá dificuldades em reunir pastores de outras denominações para juntos chorarem contra a perseguição religiosa e política da Globo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A Teologia da Prosperidade

A Igreja Universal do Reino de Deus continua crescendo no Brasil, ancorada na estrutura do grupo de comunicação que os seus líderes montaram, em nome próprio, com recursos que teriam sido desviados das arcas da denominação petencostal. Essa é a essência da denúncia feita pelo Ministério Público, que enseja algumas relevantes questões: a) por que, diante das movimentações elevadas e atípicas de recursos flagrada pelo Coaf (órgão fiscalizador do governo federal), a Receita Federal teria chancelado operações com empresas de fachada, que funcionariam para esquentar o dinheiro desviado da Universal para financiar a compra da Rede Record de Televisão e outras atividades pessoais dos líderes da seita?; e b) por que o Ministério Público Federal não tomou nenhuma medida judicial, com os dados do Coaf, sobre suposta evasão de divisas e supostos crimes federais, inclusive contra o sistema tributário nacional? São algumas perguntas simples diante do volume de recursos envolvidos sob o pálio da imunidade tributária.

Claro está que o Ministério Público paulista colocou no papel o que todos já sabíamos e o que já era público e notório. Revelou que a teologia da prosperidade praticada pelos líderes da Universal é, antes de tudo, a prosperidade do grupo que controla a seita, cujos recursos arrecadados serviram para transformá-los em grandes empresários de comunicação social, com poder político tão grande e capilarizado, que com ele talvez possamos entender as respostas possíveis àquelas perguntas feitas anteriormente.

A seguir, a reportargem do Jornal Nacional de ontem à noite:

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mercado da Fé

É de conhecimento público que a Rede Record de Televisão é de propriedade de Edir Macedo, autointitulado bispo. Como um pastor, que vive da sua atividade missionária, teria meios para adquirir a Record do seu anterior proprietário, Sílvio Santos, por R$ 20 milhões de reais? Como teria recursos para a aquisição de outras emissoras próprias pelo Brasil, criando um poderoso e agressivo grupo de comunicação social? Pois é, como?

A Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo chegaram a algumas respostas, mostrando as imbrincações societárias entre membros da Igreja, off-shores, empresas de fachada, tudo criado e estruturado com a finalidade de transferência de recursos da Igreja Universal, cuja receita anual com dízimos ultrapassa a casa de R$ 1 bilhão de reais, para os seus controladores, sobretudo Edir Macedo, líder religioso e empresarial (vide a extensa matéria da Folha de S. Paulo, aqui). Aliás, com essas cifras percebe-se que a IURD emprega quase um terço das suas receitas em publicidade na Rede Record, pagando R$ 300 milhões por ano para manter os programas da Igreja Universal nas suas madrugadas. Valores bem acima do preço de mercado, justamente para dar oxigênio à empresa de comunicação, jóia da coroa do Grupo IURD.

A Igreja Universal poderia investir no que quisesse, acaso não se valesse da imunidade tributária que as igrejas possuem para ampliar o seu patrimônio. Ao atuar com os benefícios fiscais que dispõe, passa a ter obrigações para com o fisco, entre elas respeitar as suas finalidades e investir o produto da prestação dos seus serviços religiosos na sua atividade fim. Ao encorpar o patrimônio pessoal dos seus líderes, criando empresas de fachada e contas em paraísos fiscais, nada mais fez do que agir, ao menos em tese, à margem da lei, respondendo os seus líderes por isso, com severas consequências para o destino dos seus bens e empresas. Assim, a Rede Record de Televisão passa a estar no centro de uma relevante disputa com o fisco e com o Ministério Público. Quem viver, verá...