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sábado, 13 de março de 2010

This is it

This is it é o filme de Michael Jackson. Os preparativos para os shows que faria em Londres. Mostra um grande artista, a sua genialidade, a relação com a música e com o palco, a dança planejada em cada detalhe, a inquietação em busca dos passos e gestos perfeitos. Doce com os músicos e dançarinos, buscava com eles uma relação próxima, vendendo-lhes o sonho de participarem de uma aventura como se fossem parte de uma família.

Impressionante o seu talento, que escondia nos ensaios a sua angústia, os seus dramas, a necessidade daquela dose cavalar de medicamentos para conseguir dormir. O seu sono era afastado pelo medo de falhar, pela pressão da mídia que o oprimia, pelas constantes notícias falsas sobre a sua capacidade de ensaiar e de cantar; até mesmo a voz - dizia-se - já não era mais a mesma. O mito e as suas necessidades engolira o homem, pequeno diante do peso de ser o artista número um, mesmo em evidente decadência causada por tantos escândalos que a sua figura bizarra incentivava.

Michael Jackson era um grande artista e um pequeno homem. A criança que fora esmagada pelo pai não deixara o adulto se formar; a criança oprimida oprimia agora o homem, acorrentado a um mundo de ilusão, muito bem representado pela neverland, construída em uma fazenda de horrores midiáticos.

O filme mostra o talento daquele artista que afirmavam morto. A morte do homem ironicamente fizera redivivo o artista, o rei do pop. Uma trágica inversão: Michael Jackson foi salvo como mito pela morte do homem angustiado e perdido que se escondia nas franjas da sua fama, do sucesso arrebatador, dos escândalos terríveis, dos processos por pedofilia (cuja inocência declarada judicialmente não salvou a imagem pública). A sensação que tenho hoje, após assistir o filme, é que a sua figura adulterada por tantas cirurgias plásticas servia de atração para toda a sorte de maledicências e fofocas grosseiras. Mesmo sendo uma pessoa doce e afável, conseguiu atrair a ira e a inveja de muitos, que viram em sua estampa esquisita um campo fácil para o ataque e as manchetes fáceis. Afinal, o Rei do Pop gerava notícias e, com elas, muito dinheiro.

Indico o filme a quem interessar. É bom ver as músicas famosas cantadas pela última vez pelo grande artista, os seus cuidados com o show, o envolvimento da equipe, a sua relação afinada com o diretor do espetáculo... Enfim, um documentário bem feito e alegre sobre um homem triste e perdido.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Michael Jackson: "This is it"

Gênio em vida, reconhecido definitivamente na morte, Michael Jackson surpreende com a sua nova música, que seria lançada em sua última temporada de shows. Uma música no estilo do "velho" Michael, que já estoura de sucesso no dia do seu lançamento mundial. Ouça aqui:

sábado, 10 de outubro de 2009

Música do fim de semana: Sorri

A linda versão de Djavan para a clássica música de Charles Chaplin, "Smile". Também a versão de Michael Jackson. Uma só música, duas versões e duas interpretações maravilhosas.



quinta-feira, 9 de julho de 2009

She's out of my life

O genial Michael Jackson deixou algumas interpretações que são obras-primas. Uma delas está em She's out of my life. Um belo canto de tristeza e dor.

sábado, 27 de junho de 2009

Sorria, Jakcson

A semana chegou ao seu fim com o impacto da morte de Michael Jackson. Confesso a minha perplexidade diante da complexa história de vida desse mito da música pop, o homem que virou um ícone, cujo rosto transformou-se em uma máscara escondendo as suas angústias, medos, dores, sofrimentos... É impossível não olhar hoje para os seus vários rostos e não imaginar os imensos labirintos da sua alma, um homem cujas multidões estavam aos seus pés, mas que tinha uma alma ferida, alquebrada, perdida.

Como não sentir pena da sua solidão? Em suas grandes casas, palácios enormes, corria sozinho de um quarto a outro para brincar em seus inúmeros jogos eletrônicos, fliperamas, em que se entretia de si mesmo. As suas compras de milhões, como criança em loja de brinquedos, sempre nas madrugadas, quando ninguém lhe podia fustigar e ele podia realizar o seu espírito infantil.

Michael viveu na solidão. O sucesso, as pessoas, o mundo construído sobre a sua retumbante carreira, não eram capazes de saciar a sua fome de infinito, fome que não é dele, mas de todos os seres humanos. Nele, a fome era tão grande que lhe fez buscar a eterna juventude, a transfiguração do corpo, a reconstrução de alguém que ele rejeitava: ele próprio. Como conviver com alguém em que buscamos apagar os traços, reformar a própria existência? Como ser feliz se há um litígio consigo mesmo?

A semana termina para mim com o mesmo sentimento que tive com a morte de Ayrton Senna: a certeza que morreu alguém gigante, que tinha muito ainda por fazer, mas que a sua história, embora terminada precocemente, iria muito além da vida vivida. Michael Jackson fica. As suas músicas, as suas contradições, as suas múltiplas faces, a sua dança inigualável, a sua voz de eterna criança... Michael Jackson deixa a marca do conflito existencial, da perda de sentido, da busca conflituosa de si mesmo.

E fica aqui a minha homenagem ao rei do pop, ao mito, àquele que fez a muitos dançar e tentar aprender os seus incríveis passos, andando para trás como se fosse um genial robô (eu bem que tentei no passado, mas me faltou talento e arte para dar aqueles passos que todos tentavam nos altos anos 80, início dos anos 90).

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A morte do rei do pop

A morte de Michael Jackson deixa a todos perplexos. Ninguém vendeu tantos discos quanto ele; ninguém fez tanto sucesso como ele, em seu impressionante videoclip "thriller", que antecipou um estilo de exposição das músicas, revolucionando o mercado.

Michael Jackson morreu como uma incógnita, uma pessoa de alma fraturada pela tirania do pai, a fama, a rejeição à sua própria imagem: un negro que buscou ser branco não apenas na cor, mas nos traços afilados, que foram sendo compostos em sucessivas plásticas, que lhe mudaram as feições por inteiro: nariz, queixo, boca, cabelos... Tudo nele era uma negação de si próprio, da criança nascida na pobreza no Estado de Indiana (EUA), que alcançou cedo o sucesso, mesmo sob a tirania do pai e a perda precoce da infância. Negro, branqueou a pele; adulto, fez-se criança e andava com elas (sendo inclusive acusado de pedofilia por algumas vezes). Como certa vez teria revelado o mágico Uri Geller, amigo de Jackson, sobre as razões para as sucessivas cirurgias e tratamento de embranquecimento de pele que deformaram o astro: - "Eu não queria parecer com o meu pai!".

Um homem bizarro, frágil, perdido em seu sucesso e em um estilo de vida desestruturado. A sua genialidade musical, a sua dança inconfundível, a sua voz melodiosa, os sucessos cantados por tantos, não foram suficientes para lhe conservar a sanidade. Muito da sua história é farsesca: casou-se com a filha de Elvis Presley em uma união absolutamente improvável, justamente quando já sobre si pesava a acusação de prática de atos impróprios com crianças que frequentavam a sua Nerverland, senha para o seu eterno complexo de Peter Pan.

Jackson morreu deixando um legado: as suas músicas continuarão tocando e fazendo sucesso, a sua imagem construída à lâmina não sumirá do imaginário das pessoas, os seus clips continuarão sendo o que sempre foram: uma mudança de costumes e do modo de se ver a música como negócio. Mas deixa também a marca de um homem em litígio com ele mesmo e com a sua história, tentando fugir das suas origens. Uma pessoa ferida, esmagada pelo sucesso precoce, perdida em um mundo irreal construído pelo dinheiro e pelo poder.

Diante da sua história e da sua morte, vem a pergunta em minha mente, idêntica àquela feita pelo discípulo: "A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!".

Deixo aqui uma homenagem ao Rei do Pop, que morreu como o Rei do Rock: engolido pela dor, pela solidão e pelos medicamentos...