sexta-feira, 2 de março de 2012

Quero-te!


Deixa eu olhar os teus olhos. Sem pressa, que possa me encontrar neles. Deixa que possam eles me tomar, como fossem um ébrio a um último gole ainda pendente no copo.

Se for possível, deixa que meus olhos se iluminem nos teus, brasas vivas que consomem a minha alma com a intensidade das tuas chamas. Deixa, assim sem relutância, que esse encontro seja íntimo, como são íntimas as declarações de amor sussurradas ao ouvido, com ditos sem qualquer acanhamento ou vergonha.

Se fores amiga, demasiadamente amiga, deixa que a minha boca repouse na tua, em um encontro sensível, já pronunciado pelo abraço antecipado do olhar.

E, se amiga fores, de fato, que não mais seja, porque não a quero assim, mas mulher, que é o que tu és, desde sempre, desde que meus olhos viram as tuas formas, a tua boca alargada pelo sorriso, a tua blusa denunciando teus seios, as tuas ancas sem excessos ou perdas, as tuas formas femininas, enfim...

Mas não silencia... Tua voz ao telefone me invade. Deixa que as palavras não calem. Pouco se me dá o que dizem elas; quero é ouvir o timbre, a suavidade, o enlace de tua voz. E só. E nada mais.

Ah, tu pensarás, mas o que quer ele de mim? Já não me conhece tanto? O que há de novo para tantas palavras de amor? Eu, então, acho graça nessa hora. Tu não sabes o que quero? Quero-te! Quero-te inteira, desde o cheiro que teu corpo exala até os sons que meus ouvidos não cansam de ouvir em teus momentos de entrega, quando - aí, sim - nem palavras ao certo há, senão dizeres cujo sentido é o sem-sentido do momento profundo.

Deixa eu olhar os teus olhos novamente. Deixa que veja a satisfação consumada, a paz do pós-guerra, o sonho realizado à espera do que virá. E nesse olhar, deixa que minha boca te diga: amo-te! E amando, assim, que haja o repouso da alma e do corpo, que venha o sossego saciado e que o coração bata forte, como se batesse por duas vidas.

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